terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A Grande Pirâmide


O Egito Antigo é marcado por seu povo exótico, por seus deuses meio humanos, meio animais, por seus faraós, mais é impossível imaginar o Egito sem as pirâmides, construções essas que é a primeira coisa que pensamos quando falamos de Egito Antigo.
A maior construção do mundo antigo, também é um dos maiores enigmas da historia, vários historiadores, arqueólogos e até egiptólogos tentam desvendar esses mistérios, criando varia teorias e teses sobre essa gigantesca construção de 137 metros.
Pedras gigantescas e trabalhadores livres, sem uma tecnologia desenvolvida, como que esses homens livres conseguiram levantar pedras de 2,5 toneladas, até para nos, homens modernos, essa façanha é difícil.Quéops nos deixou uma incrível obra, tão enigmática quando o passado do Egito todo junto. Teria Quéops tanta “popularidade” para mover tantas pessoas para construção de seu tumulo? O poder religioso do Egito Antigo é irrevogavelmente poderoso tanto em meio ao povo quanto em meio a realeza. Prova disso é a Grande Pirâmide, grande não só no tamanho, mais também grande nos enigmas que ela esconde atrás de suas pedras calcarias e granitos.Quéops
Filho do rei Snefru, Quéops foi um grande construtor. Mas o historiador grego Heródoto ( V século a.C) o acusou de ter jogado o povo na mais profundo miséria. Um conto antigo o descreve com arrogante e pouco respeitoso dignidade humana.
Seja como for, Quéops deixou uma marca inegável na historia: a Grande Pirâmide, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo. Por outro lado, extremamente, a única representação existente do faraó é uma minúscula estatueta de marfim! Seria isso um sinal de sua popularidade, provavelmente relacionada à construção Pirâmide? Tamanho monumento não poderia ter sido erguido sem muito suor e sofrimento, de onde talvez tenha surgido a má reputação do faraó relatada por Heródoto.
O historiador grego conta que o faraó, na falta de recursos, mandou a própria filha a um “lugar de perdição” para vender seus encantos e trazer dinheiro para ele. A filha obedeceu ao pai, mas, desejando ela também deixar um monumento em seu nome, pediu a cada freqüentador que lhe desse pedra. Com essas pedras foi construída uma das três pirâmides pequenas (a das mulheres) que se encontram ao lado da Grande Pirâmide.
Em 22 anos de reinado (aproximadamente de 2538 a 2516 a.C), Quéops exerceu um controle rigoroso sobre as minas e as pedreiras, dentro e fora do país (como no Sinai e na Núbia). Foi sem duvida graças ao controle sobre esses recursos que ele conseguiu erguer a Grande Pirâmide de Giza e seu templo funerário.

Pirâmide
No começo as pirâmides era chamadas de mastabas, construções quadradas, não muito altas, com paredes retas e teto oval, eram construídas de tijolos de argila secos ao sol e recobertos por argamassa, o seu nome tem origem da palavra banco na língua árabe, uma das mastabas mais antigas é a da 1° Dinastia, era dividida em três compartimentos: uma capela, câmara dos mortos e sala de compartimentos. Logo após veio a pirâmide de degraus onde foi idealizada por Imhotep, o engenheiro contratado por Djoser ( III Dinastia 2617 a 2599 a. C) para a construção de seu lar eterno, após a de Djoser veio já na IV Dinastia a piramide de Snefru (2575 a 2551 a.C) conhecida como pirâmide romboidal construída em Dahshur, tudo indica que ele não gostou de sua pirâmide e mandou construir outra a dois quilômetros da primeira, essa no entanto era uma pirâmide de degraus conhecida como “a pirâmide vermelha” por causa do seu revestimento de calcário usado em sua construção. O ápice das pirâmides foi com o próprio Quéops segundo faraó da IV Dinastia. Junto com ele o seu filho Quéfrem que construiu uma piramide de 136 metros de altura junto com a esfinge, e o seu neto Miquerinos ou Menkauré ( que significa “estáveis são os kau de Ré”), com a menor pirâmide cerca de 66 metros de altura.
A pirâmide de Quéops (ou Khufu) foi construída para ser a tumba do faraó Quéops da quarta dinastia, cujo o reinado se entendeu de 2551 a 2528 a.C, Heródoto constatou que precisou de mais de 100 mil homens para construir, no entanto egiptólogos afirmam que foram usados somente 36 mil pessoas, longe do numero de Herodoto, essas conclusões foram baseadas no tamanho do projeto, no tamanho das tumbas e extensão do cemitério descoberto no local, todos homens livres que trabalhavam com alegria para o seu faraó. Necessitaram de cerca de 20 anos para terminar, mais o que levou tantos homens a trabalhar gratuitamente para o faraó, foi o fato de acreditarem que ajudando na morada eterna do grande faraó, eles também iria desfrutar da outra vida.
A grande pirâmide esta situada cerca de 12 Km do Cairo estando em Gizé, junto com mais 2 pirâmides menores a de Quéfre e Menkaure, a pirâmide de Quéops é a maior construção de toda a idade antiga, tendo cerca de 146,6metros de altura ( atualmente cerca de 137 metros), igual a um prédio de 45 andares, mostrando que o faraós possuía grande poder em meio ao povo egípcio.
Para a construção da pirâmide de Quéops foram usados cerca de 2 600 000 blocos de pedra calcaria, pesando cerca de 2,5 a 1,5 toneladas cada bloco, tão perfeitamente encaxadas que em algumas junções não a como colocar uma folha de papel de tão bem justas que estão essas imensas pedras, na teoria para erguer as pedras na construção os egípcios faziam uma rampa de tijolos e terra coberta de limo que subia em volta da pirâmide até o topo. Não se sabe ao certo como fizeram os egípcios para carregar pedras tão pesadas sem a ajuda de uma tecnologia bastante evoluída, alguns historiadores atestam que seria por meio de uma espécie de rolagem, onde se colocava madeira cilíndrica no chão e o as pedras eram roladas em cima, ate chegar no local da construção, a questão que mais intriga os pesquisadores é o fato de as pedras usadas na construção era retirada de uma pedreira de Assuã a 960 quilômetros de distancia, um caminho bastante longo para esse tipo de locomoção. No total de pedras foram usadas nada mais que 6 300 000 toneladas de pedras para toda a construção da pirâmide. A área total da pirâmide é 52 900 m², os egípcios não conheciam o mesmo meio de nivelamento que o tempo atual, no entanto eles criarão um meio também bastante eficaz, com as varas cortadas em igual demarcaram o local de construção, depois foram ordenados que cavassem, em seguida que jogasse água, a própria água se encarregaria de nivelar o perímetro. Pesquisadores só encontraram um pequeno erro de nivelamento, o que deve ter sido causado por uma tempestade de areia. A pirâmide era dividida em três grandes câmeras , o que a tornava tão impressionante por dentro quanto que por fora, a subterrânea e duas acima do nível do solo, e ainda uma grande galeria que levava a câmara mais alta, o que seria 45 metros de comprimento e 8,5 metros de altura, o que poderia ser para enganar os saqueadores parecendo que seria a câmara real que era totalmente revestida de pedras de granito.
A pirâmide não era uma construção unicamente para o faraó, era enterrados com ele, a rainha, filhos, família real, sacerdotes e os serviçais que com ele conseguiu alcançar a vida eterna. A rainha ficava em uma pequenas pirâmides na ponta da maior, mais também era encontrada varias outras mastabas onde estavam sacerdotes e a família real, dando a impressão que a pirâmide era uma grande cidade dos mortos. Do lado de cada pirâmide tinha templos ligados por uma longa rua pedra a outro templo perto da zona de cultivo. E covas em forma de barco foram cavadas nos arredores, para garantir a viagem do faraó ao mundo do além.
Mesmo com a “impopularidade” de Quéops é inegável que ele nos deixou uma magnífica obra, tanto símbolo de religiosidade, quanto símbolo do poder, nesse caso, o poder do faraó.
A religiosidade do povo egípcio não pode em nenhum momento ser questionada, essa civilização se mostrou, através de suas construções, ser um povo extremamente religioso, tendo uma fé tão inabalável que se colocou a trabalhar para o seu deus vivo, em troca da tão desejada vida eterna, a Anks (Vida) Divina.
Nossa sociedade mesmo com toda tecnologia não consegue criar uma pirâmide tão perfeita quanto a Grande Pirâmide, pelo o fato de que não a como reproduzir essa cultura, esse povo tão impressionante não existe mais, eles somente deixaram suas obras, de imenso valor histórico, mais também de tão grande beleza.



SHAFER, Byron (org). As religiões do Egito Antigo. BAINES, John. LESKO, Leonard. SILVERMAN, David. São Paulo: Nova Alexandrina. 2002. 264 pg
PIRAMIDES. São Paulo: Escala.
LOIBL, Elisabeth. Egito Ontem e Sempre. São Paulo: Melhoramentos. 1994. 75 pgs.
EGITO DEUSES, PIRÂMIDES, FARAÓS/Tradução: Tommaso Besozzi. 1° Edição. São Paulo: Larousse do Brasil. 2005.
EGITO ANTIGO. São Paulo: Escala

sexta-feira, 21 de novembro de 2008



NEOPAGANISMO NO PÓS-GUERRAS: A REINVENÇÃO DA BRUXARIA
Em 1921, a antropóloga e egiptóloga britânica, Margaret Alice Murray, antiga associada de Sir William Flinders Petrie, publicou um livro que, mais de trinta anos depois, iria redefinir os rumos do neopaganismo. Tratava-se de O Culto das Bruxas na Europa Ocidental, obra na qual a autora defendia a tese de que a bruxaria tratava-se, na realidade, de uma antiga religião neolítica da fertilidade, que se mantivera praticamente inalterada ao longo das eras, sendo conservada e praticada em segredo por assembléias de sacerdotisas. Sua descrição do culto baseava-se amplamente no Ramo Dourado, de Sir James Frazer, e toda a tese de Murray não era sustentada pelas provas, as quais, segundo o historiador Jeffrey B. Russell, "ela usou mal em violação das mais simples regras de crítica6". É igualmente Russell quem afirma que
O moderno saber histórico rejeita a tese de Murray com todas as suas variantes. Os estudiosos foram longe demais em sua rejeição de Murray, porquanto muitos fragmentos da religião pagã aparecem indubitavelmente na bruxaria medieval. Mas subsiste o fato de que a tese de Murray, em seu todo, é insustentável. O argumento a favor da sobrevivência de qualquer culto coerente da fertilidade desde a Antiguidade, passando pela Idade Média, até ao presente está eivado de falácias7.
Apesar disso, a tese de Murray gozou de certo prestígio durante algum tempo. Passou relativamente incólume pela Segunda Guerra Mundial e marcou profundamente a obra de um outro membro – como a autora – da Sociedade Folclórica inglesa: o antropólogo amador e funcionário público Gerald Brosseau Gardner.
Oriundo de uma família de comerciantes de madeira de lei, Gardner manteve desde muito cedo uma estreita relação com o Oriente, reforçada pelos seus anos de serviço como inspetor da Coroa em Bornéu e na Malásia, onde colecionou um vasto acervo de instrumentos e práticas mágicas. Retornou à Inglaterra em 1936, e seu interesse pelo oculto levou-o a iniciar-se na Ordo Templi Orientis, onde conheceu Alesteir Crowley, e a filiar-se à Irmandade de Crotona, grupo neopagão supostamente rosacruciano, estabelecido em Christchurch, na Inglaterra.
Gardner publica um primeiro romance de cunho neopagão em 1939, já influenciado pelas idéias de Murray, chamado A Goddess Arrives. No entanto, é na Inglaterra vitoriosa, porém arrasada, do pós-guerras que suas idéias se solidificam e começam a redefinir os caminhos do neopaganismo. Em 1949 ele publica um novo romance, intitulado High Magical’s Aid e depois, em 1954, sua obra mais significativa: Witchcraft Today.
Nessa última obra, Gardner sustenta ter sido iniciado em um coven – assembléia de bruxas – de Christchurch, por uma mulher conhecida como "Old Dorothy", em 1939. Os conhecimentos alegadamente adquiridos junto às bruxas, na verdade sacerdotisas e praticantes de uma "Antiga Religião", já haviam sido parcialmente revelados de forma romanceada em High Magical’s Aid e, agora, vinham a público de forma mais sistematizada. Embora seja possível associar a figura de "Old Dorothy" a uma certa Dorothy Clutterbuck, respeitável membro da comunidade de New Forest, do Partido Conservador e da Igreja Anglicana, que pode ter tido certos interesses ligados ao paganismo e ao nacionalismo como forma de preservar a cultura popular local, é improvável que ela tenha sido a principal fonte de Gardner8.
Na verdade, suas fontes remetem diretamente a Crowley e a Murray, e não é por acaso que esta última assina a introdução de Witchcraft Today, onde diz que "o Dr. (sic) Gardner afirma ter encontrado em várias partes da Inglaterra grupos de pessoas que ainda praticam os mesmos ritos das chamadas ‘bruxas’ da Idade Média9" e acrescenta que Gardner "mostrou em seu livro o quanto a chamada ‘bruxaria’ vem dos antigos rituais e nada tem a ver com lançar feitiços ou outras práticas maldosas10".
Basicamente, o livro de Gardner possui duas características. O material de caráter ritual, de menor importância para a nossa abordagem, remete diretamente aos escritos de Crowley e, especialmente, aos ritos da Golden Dawn, além de conterem referências diretas (embora não explicitadas) ao material contido na obra do folclorista inglês Charles Leland, Aradia, the Gospel of Witches, publicada em 1899. Por outro lado, seu conteúdo de cunho "histórico" recria o passado europeu e especialmente o passado da Inglaterra, e redefine boa parte das crenças neopagãs que a ele se seguem, promovendo, a partir de sua rápida popularização, um recrudescimento do neopaganismo com base na bruxaria.
Em Witchcraft Today, Gardner começa por associar as bruxas ao "Povo Miúdo dos lugares quentes, chamados fadas ou elfos em uma época11", ligando assim as raízes da bruxaria ao folclore celta e nórdico (e por extensão a todos os demais folclores que possuem tais criaturas). Prossegue afirmando que as bruxas têm "uma vaga noção de que o antigo povo veio do Oriente" e que "nos tempos antigos acreditava-se que o paraíso era no Norte12". Atribui ao Povo Miúdo uma característica de resistência às diversas invasões nas Ilhas Britânicas, utilizando mesmo figuras como a de Robin Hood:
Os tempos mudavam devagar. Os senhores não eram mais normandos. Muitos haviam se casado com saxãs, alguns tinham filhos legítimos ou ilegítimos com mulheres romano-britânicas e a raça tornou-se inglesa. (...) A história de Robin Hood difundia-se, o conto do arqueiro maravilhoso que nunca errou seu alvo. Robin era um nome franco-inglês comum para um espírito e Hood era uma variante freqüente de Wood (floresta), e foi, além disso, derivado do escandinavo Hod, um deus do vento, variante de Woden. Robin Hood, então, embora tivesse provavelmente uma existência histórica, era uma forma mítica em que uma bruxa-líder poderia facilmente se transformar. Ele tinha sua convenção de bruxas de doze, que incluía a Grande Sacerdotisa, Lady Marian, toda vestida de verde13.
A idéia de pureza racial, de descendência direta de uma raça superior, também está presente na obra de Gardner, bem como o contraste com os dias atuais, envoltos na degenerescência. Ao comentar sobre a formação do "círculo das bruxas", composto por doze membros, ele lamenta-se que "nesses dias degenerados, seis casais perfeitos não estão sempre disponíveis14", para em seguida afirmar que "na antiguidade, pelo menos, os líderes eram sempre das antigas raças – o povo com poderes naturais de controle paranormal do corpo15".
Note-se que os elementos que acabamos de citar não são, em absoluto, novos. A afirmação da superioridade da raça, dos poderes ocultos à sua disposição, da ligação com um passado mítico com supostas raízes orientais – partindo do princípio que o Oriente era tido como o berço da sabedoria iniciática – e transmitido à revelia da tradição judaico-cristã através das invasões arianas desde o Norte, já estavam presentes no neopaganismo do século XIX e são reforçados no período do entre-guerras. Tais crenças, no entanto, são por natureza exclusivistas, uma vez que aqueles que não pertencem à raça encontram-se automaticamente alijados do poder. O que Gardner acrescenta, especialmente ao descrever a miscigenação do seu Povo Miúdo, é a noção de que qualquer pessoa, independentemente de sua origem étnica, pode ser um descendente daquelas antigas bruxas, unicamente por ser inglesa, ou mesmo sem sê-lo.
Dessa maneira, o neopaganismo adentra a segunda metade do século XX com crescente popularidade, a partir da "Wicca", religião fundada sobre o trabalho de Gardner, cujo nome deriva da palavra (wica) – extraída do inglês arcaico – que ele utiliza para designar suas bruxas. Se a sua abrangência passa a ser ostensivamente democrática, como convém à nova realidade mundial que se desenha a partir do fim da Segunda Guerra, também em face dessa nova realidade ele não perde seu caráter reacionário, como veremos adiante.
CONCLUSÃO: OS BRUXOS DO PÓS-GUERRAS
É evidente que um trabalho dessa monta não tem a pretensão de fazer uma análise completa do neopaganismo como fenômeno histórico, e das implicações sociais contidas na sua formação e desenvolvimento. O que pretendo é apenas traçar um panorama abrangente da forma como esse movimento respondeu às crises que marcam a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX. Dessa forma, consigo identificar três períodos distintos, ou três fases na expansão das crenças neopagãs. Nessas três fases, no entanto, permanece constante a principal característica do neopaganismo: a invenção de uma ancestralidade que corresponde, grosso modo, aos anseios nacionais de uma parcela da população frente as crises.
A primeira fase corresponde, grosso modo, ao período que vai de meados do século XIX até a Primeira Guerra Mundial. Nessa fase, o neopaganismo é, basicamente, uma reação de uma parcela intelectualizada da sociedade européia, geralmente ligada à classe artística, com forte influência do nacionalismo romântico. Sua marca é a desilusão com os valores típicos da sociedade ocidental, especialmente com o cristianismo e o liberalismo, e com a busca de um conjunto de valores alternativos, centrados numa suposta "tradição". Essa tradição incorpora, de forma aleatória, parte do folclore popular europeu e o mistura às referências trazidas do Oriente pelos funcionários coloniais que regressavam à metrópole. Suas ramificações principais são o Ocultismo e o Espiritismo, ambos gestados na França e popularizados na Inglaterra e nos EUA, e duas de suas figuras centrais são Blavatsky e Eliphas Lévi.
A segunda fase corresponde ao período de entre-guerras. A decepção com o capitalismo liberal e com os governos democráticos, que foram incapazes de evitar o conflito global, acaba sendo exacerbada pela crise de 1929. Nesse contexto, as concepções neopagãs ligadas à ancestralidade, à superioridade racial, aos "antepassados superiores", ganham força e contaminam o cenário político, atingindo por meio deste o imaginário popular. Isso se dá, em especial, naqueles países já arrasados pela guerra ou cuja identidade nacional era até certo ponto nova ou precária. Os movimentos nacionalistas de extrema direita, na Alemanha e na Itália, principalmente, são seduzidos por essas concepções e, na primeira, cresce o interesse pelo passado heróico do povo germânico, com sua suposta origem ariana, enquanto que na segunda a bruxaria strega é tida como um exemplo de resistência às tradições alienígenas. Esta é a fase de consolidação das sociedades secretas, das ordens iniciáticas, e também a de maior virulência: além de sua presença inequívoca nas doutrinas fascistas, surgem as ramificações de orientação satanista. Crowley, com sua doutrina violenta, fortemente anti-cristã e de cunho notadamente sexual é, provavelmente, o principal representante dessa fase.
O fim da Segunda Guerra Mundial marca o início da terceira fase. Além de termos um mundo (e especialmente uma Europa) arrasado por uma guerra que, dizia-se, não poderia acontecer graças ao exemplo da Primeira, outros fatores foram determinantes para a mudança do neopaganismo nesse período. A guerra total, de caráter tecnológico, mostrara a todos como as fronteiras eram ilusórias. Pouco depois do fim da guerra real, o advento da Guerra Fria mergulhou o mundo no medo constante da aniquilação atômica. Além disso, o centro do poder no Ocidente deslocou-se definitivamente da Europa para os EUA, e os impérios coloniais europeus desapareceram. Isso, está claro, criou uma Europa órfã de seus principais referenciais de grandeza.
Em uma obra publicada originalmente em 1960, chamada O Despertar dos Mágicos, o francês Louis Pauwels passa uma idéia vívida dos sentimentos de uma parcela da população européia nos anos que se seguiram à Segunda Guerra:
Para mim, a idade atual era a idade negra. Entretinha-me a enumerar os crimes do espírito moderno contra o espírito. Desde o século XII que o Ocidente, separado dos Princípios, corria para a própria destruição. Alimentar qualquer esperança era aliar-se ao mal. Denunciava a mais pequena esperança como uma cumplicidade. Só me restava entusiasmo para a recusa, para a ruptura. Nesse mundo cujas três quartas partes já se perdiam no abismo, onde os padres, os cientistas, os políticos, os sociólogos e os organizadores de toda espécie me apareciam como coprófagos, apenas os estudos tradicionais, e uma resistência incondicional ao século eram dignos de respeito16.
Tal estado de espírito, que não parece ter sido incomum na burguesia européia do pós-guerras, teve seus efeitos sobre o neopaganismo. Os "estudos tradicionais", citados por Pauwels, não podiam mais fixar-se no componente racial, até mesmo porque os horrores advindos dessa fixação estavam frescos na mente de todos. No entanto, cabia ainda a eles resgatar parte dos orgulhos nacionais perdidos, se não por intermédio da raça, ao menos por intermédio de um passado, de uma ancestralidade, e de tradições que continuavam vivas apesar da passagem do tempo e das mudanças no mundo ocidental.
Nesse contexto, a aceitação das idéias de Gardner, que deram uma nova face ao neopaganismo, chegando, posteriormente, a guindá-lo ao status de religião, era quase inevitável. As bruxas britânicas de Gardner, mesmo alicerçadas por teorias que, à época, já eram ultrapassadas, possuíam características altamente atrativas: elas não eram, para o leitor, necessariamente britânicas, uma vez que a bruxaria e as alusões ao "povo miúdo" são praticamente universais. Além disso, elas eram as repositárias de uma "tradição" ancestral e imorredoura, que as destacava do resto das pessoas por lhes proporcionar a capacidade de praticar a "magia" – afinal, o próprio Gardner afirma que as bruxas inglesas haviam se reunido em 1940 para, por meios mágicos, impedir que Hitler invadisse a Inglaterra. Ainda, em conformidade com os novos tempos, de tremendos poderes que ameaçavam a própria existência da vida na Terra, o "poder" das bruxas neopagãs era inexoravelmente voltado para o bem, graças a um código de conduta rígido. Por fim, a doutrina de Gardner adequava-se ao novo pensamento burguês, que encarava com mais naturalidade assuntos como nudez, homossexualidade e conquistas feministas.
A aceitação desse novo neopaganismo – o dos bruxos do pós-guerras – por uma fatia considerável da população foi muito rápida. Em poucos anos, covens nos moldes gardnerianos surgiram por toda a Inglaterra e, daí, espalharam-se para os EUA e para o resto do mundo ocidental. Essa popularização recebeu um forte impulso ao incorporar (ou ser incorporada por) a New-Age, em inícios da década de 1970 e, em breve, tomava um porte não mais de religiosidade alternativa de pequenos grupos, mas sim de religião de massas, com dezenas de milhares de adeptos. Compreensivelmente, essa popularidade foi (e é) maior nos países de língua inglesa, onde os adeptos podem sentir-se mais confortavelmente ligados pela ancestralidade aos seus "antepassados bruxos".
Particularmente, duvido que Gardner tenha pretendido criar uma nova religião. Contando mais de 70 anos quando da publicação de suas duas obras principais, ele era, certamente, um homem da fase anterior do neopaganismo, aquela do nacionalismo extremado e das sociedades secretas, sociedades estas das quais ele efetivamente fez parte. Lendo seus trabalhos, resta a impressão que sua intenção era reformular a aplicação do pensamento neopagão, tirando dele o cunho maior do preconceito racial mas mantendo a característica de ordem iniciática que possibilitava o acesso ao "conhecimento ancestral". Escrevendo num tempo de incertezas, porém, sobre uma "Antiga Religião" da Europa pré-cristã (e não simplesmente da Inglaterra), repleta de poder, liberdade e alegres celebrações, ele possibilitou que seus seguidores, muito cedo, se dedicassem ao "renascimento" dessa Antiga Religião, numa Europa esvaziada de poder, liberdade e alegria pelos horrores da Segunda Guerra Mundial e pelos temores da Guerra Fria.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Orações Egipcias


Uma antiga oração para Hórus:

“Por ele o mundo é julgado naquilo que contém. O céu e a Terra encontram-se sob sua presença imediata. Governa todos os seres humanos. O Sol dá volta segundo sua vontade. Produz abundância e a distribui pela Terra. Todos adoram sua beleza. Doce é seu amor em nós”.

Oração para Rá:

“Senhor dos tronos da Terra... Senhor da verdade, Pai dos deuses, Criador do Homem, Criador dos animais. Senhor da existência, Iluminador da Terra, que navega tranqüilamente nos céus... Todos os corações se abrandam ao contemplá-lo, Soberano da vida, da saúde e da força! Adoramos teu espírito, o único que nos criou.”

Uma oração de amor ao Sol (Rá)

"Vou respirar o doce hálito da tua boca. A cada dia, vou contemplar a tua beleza... Dá - me tuas mãos, carregadas de teu espírito, a fim de que eu te receba e viva por ele. Chama o meu nome do decorrer da eternidade: ele jamais faltará ao teu apelo."