terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Solstício de Inverno



Existem varias formas diferentes de comemorar o Solstício de Inverno, qualquer pagão pode encontrar diversas formas diferentes de celebrar esse festival de nascimento da natureza!

No entanto, colocarei aqui no Simaltar um ritual usando somente invocações de Deuses Egípcios, algumas dessas invocações são extremamente antigas e usadas pelos egipcios.

Mas primeiramente, gostaria de contar-lhes como foi o nascimento de Hórus...


Após a morte de Wesir (Osíris), Set colocou Aset em uma casa de tecelagem. Thot foi o Deus que ajudou-a a sair.
- Venha, Deusa Isis. Siga meu conselho e escape deste lugar. Eu A prometo que a força de Seu filho, Horus crescerá duplicada. Ele vingará a morte do Seu pai e sentará em Seu trono, e ele governará as duas Terras do Egito.
Ela seguiu o seu conselho. Em uma noite, ela escapou da prisão, levando consigo seu filho Heru e sete escorpiões como companheiras e guardiãs. Tefen e Befen atrás de Isis, à sua direita Mestet, à sua esquerda Mestetef. À sua frente, Petet, Thetet e Maatet. Enquanto elas viajavam, Isis falou com as escorpiões com uma voz que penetrou e reverberou dentro delas:
- Ouçam-me e obedeçam-me, pois é sábio aquele que obedece a voz de Isis. Não conheçam “A Negra” e não saúdem “a Vermelha”; não diferenciem a alta da humilde. Mantenham seus rostos virados para a Terra e guiem-me para o local seguro. Tenham cuidado para não guiarem aquele que procura por mim, até que tenhamos alcançado “A Casa do Crocodilo”.
E elas o fizeram, guiando a Deusa para a cidade das Duas Sandálias Divinas. Isis chegou cansada e se aproximou da chefe da cidade, Lady Usert, e pediu abrigo. A mulher, vendo as escorpiões que acompanhavam Isis, sentiu medo, e depois raiva por essa mulher, que ela não reconheceu ser a Deusa, ousava se aproximar de sua casa com sete criaturas tão perigosas. Então ela fechou a porta.
Naquela noite, Tefen e as outras escorpiões discutiam a rejeição, e Isis encontrou refúgio com uma pobre mulher dos pântanos. As escorpiões decidiram se vingar de Lady Usert e juntaram todo o seu veneno na cauda de Tefen. Ela entrou na casa da mulher por debaixo da porta e picou o filho de Lady Usert. Ele caiu instantaneamente pelo efeito do veneno e um fogo furioso irrompeu da casa.
Vendo o que aconteceu, Usert deixou escapar um grito de dor, chorando sobre seu filho e pela destruição de sua casa. Ela andou pelas ruas pedindo ajuda, mas ninguém a atendeu. Isis apiedou-se da mulher e principalmente de seu filho inocente.
- Nobre Senhora, venha a mim. Minha boca carrega vida. Eu sou uma mulher cujas palavras têm o poder de proteger. É bem sabido em minha cidade que minhas palavras dão vida. Traga o garoto para mim e eu eliminarei o mal.
Isis colocou suas mãos sobre o garoto e falou as palavras que eliminariam o veneno:
- Veneno de Tefen, venha, vá para a terra, não penetre; veneno de Befen, venha, vá para a terra. Eu sou a divina Aset, Senhora da Magia, Senhora das Palavras de Poder. Caia, veneno de Mestet, não corra. Veneno de Mestetef, não se eleve. Veneno de Petet, Thetet e Maatet, deixem a criança! A criança vive e o veneno morre.
O veneno obedeceu a Deusa e a criança viveu. E a chuva caiu, extinguindo o fogo da casa de Usert.
Isis estava contente pela criança, mas seu coração estava cheio de pesar.
- Estou sozinha. Ninguém tem mais tristeza do que eu. Eu sou como um homem velho cujo coração não mais se alegra em ver belas mulheres. Fiéis escorpiões, voltem suas faces mais uma vez para o chão e guiem-me para os pântanos de papiro onde eu posso me esconder com meu filho.
Vendo a Deusa, seu filho e as escorpiões partirem, Lady Usert ficou cheia de remorso. Ela encheu a casa da pobre mulher que acolheu a Deusa de belos presentes, coisas de sua própria casa. Mas ela ainda sentia muita culpa pela noite, compreendendo que foi por causa dela que ela e seu filho sofreram.



Comemorando o Nascimento de Horus no Soltício de Inverno:
Abra o circulo normalmente.

O altar é decorado com plantas como pinho, alecrim, Louro, zimbo e cedro, os quais podem ser utilizados para marcar o Círculo.

Coloque no caldeirão uma VELA vermelha dentro do caldeirão.

Prepare o Altar, acenda as VELAS e o INCENSO , crie o círculo, invoque a Deusa e o Deus.

Invocação a Isis:

Ísis da Lua,
Você que é tudo o que já existiu,
Tudo o que é
E tudo o que será:
Venha, Rainha velada da Noite!
Venha como o aroma do lótus sagrado
Carregando meu círculo
Com amor e magia.
Desça sobre meu círculo,
Eu peço,
Ó abençoada Ísis!

Invocação a Osíris:

"Oh Rei Osíris
Você se foi, mas retornará.
Você adormeceu, mas acordará.
Você morreu, mas viverá.
A tumba estará aberta para você.
As portas do sarcófago foram afastadas para você.
As portas do céu estão completamente abertas para você."


De pé diante do caldeirão, contemple seu interior.

Diga:

Porque eu sou a primeira e a última
Eu sou a venerada e a desprezada
Eu sou a prostituta e a santa
Eu sou a esposa e a virgem
Eu sou a mãe e a filha
Eu sou os braços de minha mãe
Eu sou a estéril, e numerosos são meus filhos
Eu sou a bem-casada e a solteira
Eu sou a que dá a luz e a que jamais procriou
Eu sou a esposa e o esposo
E foi meu homem quem me gerou em seu ventre
Eu sou a mãe do meu pai
Sou a irmã de meu marido
E ele é o meu filho rejeitado
Respeitem-me sempre
Porque eu sou a escandalosa e a discreta.

Ascenda a vela dentro do caldeirão e diga:

Oh benevolente Ísis
que protegeu o seu irmão Osiris,
que procurou por ele incansavelmente,
que atravessou o país enlutada,
e nunca descansou antes de tê-lo encontrado.
Ela, que lhe proporcionou sombra com suas asas
e lhe deu ar com suas penas,
que se alegrou e levou o seu irmão para casa.
Ela, que reviveu o que, para o deseperançado, estava morto,
que recebeu a sua semente e concebeu um herdeiro,
e que o alimentou na solidão,
enquanto ninguém sabia quem era...


Medite sobre o Yule e o nascimento de Hórus

"Por ele o mundo é julgado naquilo que contém. O céu e a terra encontram-se sob sua presença imediata. Governa todos os seres humanos. O sol dá volta segundo sua vontade. Produz abundância e a distribui pela Terra. Todos adoram sua beleza. Doce é seu amor em nós"

Após algum tempo, pare e novamente de pé diante do altar e do caldeirão no fogo, diga:

Sou Hórus, o grande Falcão sobre os muros daquele cujo nome é oculto. Meu vôo atingiu o horizonte. Passei pelos deuses de Nut. Fui mais longe que os deuses de antanho. Mesmo o pássaro mais velho não poderia igualar o meu primeiro vôo. Removi meu lugar para além dos poderes de Seth, o adversário de meu pai Osíris. Nenhum outro deus poderia fazer o que fiz. Trouxe os caminhos da eternidade para o crepúsculo da manhã. Sou único em meu vôo. Minha fúria está voltada contra o inimigo de meu pai Osíris e colocá-lo-ei sob meus pés sob meu nome de "Manto Vermelho". Nesse ponto alguns dos deuses devem ter protestado e Hórus rebate: O hálito chamejante de vossas bocas não me causará mal. O que poderíeis dizer contra mim não me afetaria, pois sou o Hórus, cujo domínio se estende muito além de deuses ou homens, e também sou Hórus, filho de Ísis.

-Por Horus-



O Solsticio de Inverno na Mitologia Egipcia:
No solstício de inverno , a imagem de Hórus, sob forma de menino recém-nascido, era retirada do santuário para ser exposta à adoração da multidão. Era considerado idêntico e feito “da mesma substância de seu pai, Osíris”. Assim como seu pai, estava relacionado ao juízo das almas no mundo inferior, apresentando as almas ao Juiz Divino.
Exatamente no dia do solstício de inverno , visto da entrada da Grande Pirâmide, o Sol nasce exatamente na cabeça da Esfinge, e ilumina DIRETAMENTE a entrada das pirâmides. Era o dia considerado ideal para as iniciações no antigo Egito, por marcar o retorno do Sol (luz). As pirâmides e o Mistério de Órion
Localização das pirâmides do Egito Foi Imothep ( Hermes Trismesgistos , como os gregos o chamaram posteriormente) que determinou a localização onde se construiria Saqqara para as suas misteriosas finalidades. Está situada na área entre 31 e 32 graus de longitude Leste e 29 e 30 graus de latitude Norte. Foi a única área no Egito onde se construiriam pirâmides.

Inicialmente, a região do Egito estava sob controle de dois reinos diferentes. Zonas agrícolas eram constituídas aos longo das margens sul e norte do rio Nilo, e conforme houve a proximidade de tais áreas, regidas
As pirâmides estão colocadas num lugar muito especial na face da Terra - estão no centro exato da superfície terrestre do planeta, dividindo a massa de terra em quadrantes aproximadamente iguais. - Ponto Telúrico - (Proporção áurea 2/3). E não se trata de defeito da foto! Nesta outra tomada, podemos notar que existe uma misteriosa triangulação entre a Esfinge, as três grandes pirâmides (oficialmente denominadas Queóps, Quéfren e Miquerinos) e a misteriosa estrutura esférica! Longitude: 30 Latitude : 31 Pirâmides do Egito
As pirâmides estão colocadas num lugar muito especial na face da Terra - estão no centro exato da superfície terrestre do planeta , dividindo a massa de terra em quadrantes aproximadamente iguais. (Proporção áurea 2/3). Pontos telúricos da terra EGIPCIOS MAIAS
Pontos telúricos da TERRA Pontos telúricos na Terra
Os "respiradouros" da pirâmide de Quéops apontavam para a Constelação de Órion , aparentemente com o objetivo de mirar a alma do rei morto em direção àquela constelação. Cinturão de Orion
Gizé é o nome do local onde estão as 3 pirâmides: A maior é a de Queóps, um pouco menor a Quéfren e a menor é a de Miquerinos.
Existiriam misteriosas energias geradas, e simultaneamente atraídas, pelas pirâmides ou até mesmo pelas suas simples formas geométricas? Comprovadamente fluem por intermédio dessas estruturas (mesmo que nas simples réplicas) três tipos de energias: Eletrostática, Piezoelétrica e uma terceira, desconhecida, temporariamente batizada de " Energia X ".
É um ponto de força (telúrico) no planeta que aumenta os efeitos da pirâmide que Imothep construiu. Esta localização era fundamental para que a pirâmide operasse como um condensador elétrico que captava, como uma antena, a energia positiva da atmosfera nos cristais de quartzo dos azulejos de granito que a revestiam externamente. Saqqara fica sobre um do nódulos principais da rede eletromagnética do planeta onde se pode melhor utilizar a energia telúrica para fazer vibrar uma grande massa de pedra.
A pirâmide foi alinhada com os pontos cardeais. Constituiu-se na primeira parte da máquina quântica construída por Imothep. (900.000 ton de rocha com alto teor de quartzo, de efeito Piezoelétrico) Saqqara era circundada por um muro com dez metros de altura, quinhentos e cinquenta metros de comprimento e duzentos e setenta e cinco metros de largura (metade do comprimento).
Vista área do complexo de Gizé Todas as construções na planície de Gizé estão espetacularmente alinhadas. Alinhamentos das Pirâmides e da Esfinge Alinhadas na direção da Constelação de ORION no dia do Solstício de Inverno



E as fotos dos satélites da NASA recentemente trouxeram à luz este outro estonteante enigma! Aqui temos uma visão geral da Esfinge, bem na extremidade esquerda . Logo atrás, a Grande Pirâmide . Veja o que a linha azul aponta... A entrada da grande pirâmide! Aqui o Sol ilumina diretamente no Solstício de Inverno ! Algo que somente é possível ser visualizado a partir do ar!

A ESFINGE



A Esfinge não foi construida com blocos quadrados, como as pirâmides e templos os quais guarda, mas esculpida na rocha bruta (monolítica).
Seus escultores lhe deram a cabeça de um homem (alguns dizem ser de uma mulher) e um corpo de um leão.
Tem 65 pés (20 metros) de altura e 241 pés (73.5 metros) de comprimento.
Seus olhos, virados para leste, contemplam fixamente o horizonte distante. No solstício seus olhos miram o sol de frente , e as luzes e energias do sol adentram diretamente a porta de entrada das pirâmides.
O Enigma da Esfinge : A Esfinge é sem dúvida, uma relíquia de outro tempo. De uma cultura que possuia um conhecimento, de longe, muito maior que o nosso. Há uma tradição que diz: “ a Esfinge é um grande e complexo hieróglifo, que contém a totalidade do conhecimento antigo. DECIFRA-ME…OU TE DEVORAREI !” Este é o famoso " ENIGMA DA ESFINGE " que dos tempos mais antigos tantas almas tentaram resolver.
E não é somente isso! O Egito guarda outros profundos mistérios que se situam para muito além da nossa imaginação.
A Esfinge misteriosa de Gizé, guardiã absoluta dos mais profundos segredos da antigüidade misteriosa, como também da História.

Feliz Yule
Feliz Solstício de Inverno
Feliz Natal
Que Harpocrates ou o Horus Menino nos abençoe sempre!
Que assim seja!



Quer saber mais sobre o Yule?
Visite o site: http://tuathadulac.blogspot.com/
Muito Bom!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Vida Sexual no Antigo Egito

Voltando ao Simaltar, venho com um poste ao qual remete a minha nova abordagem em meu Trabalho de Conclusão de Curso - TCC. Não só inovador trabalhar com Egiptologia em pleno serrado tocantinense na Universidade Federal do Tocantins, eu preferi tratar o aspecto da sexualidade no Antigo Egito, para assim não só compreendermos melhor essa antiga sociedade, mais também para haver "comparações" e contraposições da sociedade contemporânea.
Esse tema trata de fatores que se tornaram tabus na contemporaneidade como: Prostituição, homossexualidade, traição, incesto entre vários outros aspectos dessa rica sociedade antiga.
Por - Simaltar





O historiador espanhol José Miguel Parra Ortiz, autor de "A vida amorosa no Antigo Egipto" afirma que os egípcios não tinham tabus e "tinham todas as perversões, mas eram publicamente contidos e calmos".
O historiador espanhol José Miguel Parra Ortiz, autor de "A vida amorosa no Antigo Egipto" afirmou que os egípcios "tinham todas as perversões, mas eram publicamente contidos e calmos".

O autor de "A vida amorosa no Antigo Egipto. Sexo, matrimónio e erotismo", título editado pela Esfera dos Livros, afirmou que a vida sexual não era um tabu para os antigos egípcios que "não gostavam de a expressar publicamente", nomeadamente em pinturas.

Em declarações à Lusa, o historiador espanhol esclareceu: "Estavam tão interessados em sexo como qualquer outro povo, mas seguiam um pouco o modelo vitoriano, em que em público nada transparecia, e era tudo calmo, e dentro de portas imperava a imaginação".

"Tinham todos os tipos de perversão, e tanto quanto se conhece até hoje, não havia qualquer tabu", disse.

Os antigos egípcios, referiu, "fechavam os olhos a certas práticas desde que houvesse filhos".

O essencial desta civilização marcada pelo ciclo das cheias do rio Nilo que fecundava as terras, era "ter filhos, ter herdeiros, garantir uma continuidade era essencial".

Homossexualidade não era condenada, desde que houvesse herdeiros

"A homossexualidade - exemplificou - não era explicitamente condenada pelo ato em si, mas por dessa relação não surgirem filhos. Se um dos intervenientes já tivesse herdeiros, mesmo que adotados, fechavam os olhos".

O erotismo e a vida sexual são duas áreas pouco estudadas, "quer pela falta de fontes, quer pelo puritanismo de alguns arqueólogos".

O historiador citou casos de investigadores que retiraram referências fálicas encontradas em estatuetas, ou até documentos que foram escondidos.

O papiro erótico de Turim, conhecido desde o início do século XIX, só foi publicado em 1973, por exemplo. Outro caso é a censura feita pelo Metropolitan Museum de Nova Iorque a uma cena erótica desenhada num couro.

Os egípcios deixaram também poucos testemunhos sobre estas matérias, constituindo o "papiro de Turim" sobre o qual há várias interpretações, um dos documentos mais completos.
Objectos e documentos de cariz erótico

Há também objetos, "algumas oferendas de cariz erótico deixadas junto dos cadáveres mumificados que se acreditava que ressuscitavam no outro mundo, e também falos que eram colocados junto do altar da deusa Hator".

"Dado o tamanho adequado de determinados falos feitos em madeira e pedra, que foram encontrados, subsiste a hipótese de que se masturbavam com os objetos, e os entregavam posteriormente aos deuses, como forma de alcançar uma maior carga mágica, garantir a fertilidade ou recuperar a potência sexual".

"Há documentos que referenciam atos que identificaríamos hoje como de sadismo e masoquismo, e relatos literários que referem a existência de sexo antes do matrimónio".

A virgindade não era uma preocupação, segundo o egiptólogo: "As mulheres egípcias eram mais apreciadas depois de terem dado à luz, a questão da virgindade não era de todo a mais importante, e mais uma vez prevalece a procriação que vai ao encontro da ideologia oficial do amor: 'sexo apenas com o sentido de procriar'", disse.

"Encontrámos também relatos de relações extra-conjugais, sem que tal fosse condenado, e até narrativas da participação de um terceiro elemento na relação conjugal", disse.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Brasil, um país laico? Desde quando???

Movido por uma insatisfação política no momento de eleição presidencial no Brasil, posto esse artigo, onde confirmo, o Brasil só é um país laico no papel.
É horrível e ainda inconstitucional que ainda haja dentro das discussões políticas as problemas de quem é mais religioso que o outro e mais abominável ainda lideres religiosos envolvidos como cabos eleitorais, pedintes de votos.
Ate onde estaremos na Idade Media? Eu não sei, só sei que precisamos de uma mudança de valores, pois religião é algo individual e não deveria fazer parte da política, pois um governante tem que governar para o povo e não por essa ou aquela igreja, por essa ou aquela religião!
Sou a favor da retirada de símbolos religiosos dos órgãos públicos!
Sou a favor de um país laico!
Sou a favor de um governante que governe realmente para o povo!
Sou a favor dos caminhos opostos entre Religião e Política!




Brasil: Laico ou Concordatário? por Luiz Antônio Cunha

Se alguém perguntar: o Brasil é um Estado laico? Eu diria: - Não. O Brasil nunca foi um Estado laico, pois ele é um Estado concordatário. Até o dia 13 de novembro de 2008 era, implicitamente, concordatário. A partir desta data, assume, explicitamente, essa condição. E, por que, implicitamente, concordatário? Porque o Brasil tinha legislações que não tinham o nome de concordata, nem de acordo com o Vaticano, mas que privilegiavam, explicitamente, a Igreja Católica; não igrejas cristãs, mas a Igreja Católica.
Há um dispositivo legal, que não está na Constituição brasileira, explicitamente, que trata do laudêmio, que é um estatuto do direito medieval, que significa a propriedade de um terreno ou de um imóvel, para além da propriedade individual. Há três sujeitos de laudêmio no Brasil: a Marinha de Guerra, com os terrenos da costa; a família imperial; e a igreja católica nas cidades mais antigas do Brasil, como nos distritos centrais de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Recife, por exemplo. O que significa o laudêmio? Se alguém é proprietário de um terreno ou de uma casa e vende um desses imóvies, deve à municipalidade o imposto de transmissão, que está na ordem de 2,5% ou 3%; mas, se o imóvel está sujeito ao laudêmio, a pessoa que comprar o terreno deverá também, ao titular desse direito arcaico, o dobro do imposto de transmissão.



Além disso, o comprador deverá pagar, anualmente, uma determinada quantia. Isso é uma fonte de renda muito importante, garantida pelo Estado. Não está na Constituição brasileira, mas é direito líquido e certo. Ninguém pode deixar de recolher esse recurso. É impossível calcular, do ponto de vista prático, qual é o valor desse privilégio que o Estado brasileiro garante à Igreja Católica. Há outros exemplos, que não serão citados neste momento. Este já é suficiente para mostrar que o Estado brasileiro, parcialmente republicano, sempre foi, a despeito do que aparecia na Constituição, um Estado concordatário.

A partir da Concordata firmada com o Vaticano, em fins de 2008, o Estado Brasileiro é manifestadamente concordatário. Trata-se de um acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé que prescreve não os interesses comuns, mas apenas os interesses da Igreja Católica no Brasil.



De uma maneira geral, os itens da Concordata brasileira são os mesmos da concordata firmada pelo governo de Portugal com a Santa Sé. Parece que é como se houvesse uma espécie de modelito prévio a ser adaptado a cada caso.

Por exemplo, entre os artigos da Concordata brasileira há uma abordagem que envolve questões trabalhistas com os quadros da Igreja Católica. Vale ressaltar que esse ponto não está presente na concordata de Portugal. Sobre o ensino religioso, ela diz sobre o direito dos jovens portugueses terem o ensino da religião e moral católicas na escola. Não fala dos outros credos, na concordata portuguesa. No Brasil, ela tem formato que parece misturar um pouco da legislação civil brasileira. Mas, sobre as questões trabalhistas, a Concordata separa os quadros da Igreja Católica de todos os demais da legislação trabalhista brasileira e da Justiça do Trabalho. Ela retira de seu âmbito todos os casos de petições de reivindicações de direitos para sacerdotes, irmãos, leigos e freiras; enfim, do pessoal da igreja católica. A concordata estabelece que seu trabalho é necessariamente voluntário. Isso é incrível porque o que está acontecendo é que gente que trabalha para a Igreja Católica durante décadas e depois vai à Justiça do Trabalho e busca reivindicar direitos, vai encontrá-la legalmente impedida.


A clarificação desse ponto apareceu num jornal do Rio de Janeiro, O Globo. Um pequeno artigo publicado no dia seguinte ao da aprovação da concordata, assinado por um Juiz do Superior Tribunal do Trabalho, aliás, um militante direitista e criminizador do aborto, Ives Granda, dizia que, finalmente, essa ambigüidade foi retirada da legislação brasileira.

A concordata prevê, também, que a anulação de um casamento na instância religiosa, passa a ter reconhecimento civil.

Luiz Antônio Cunha é coordenador do Observatório da Laicidade do Estado - UFRJ

Fonte: http://www.ccr.org.br/a_destaque_jogorapido070709-luizcunha.asp

Notas do Simaltar:
Um país movido por religião é um país preconceituoso, sou a favor da liberdade religiosa, mais não sou a favor do preconceito religioso!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Lua no Brasil (Hemisfério Sul)



Após algumas discussões (pacificas) entre algumas amigas wiccanas, foi levantado um assunto que eu nunca havia reparado. A Lua no Brasil, pois assim como a uma mudança nas estações entre os Hemisférios, a visão da lua também muda. Na discussão elas levantaram que no Brasil a lua em sua fase minguante não aparece no céu, que nesse caso, ela só apareceria no céu em sua fase nova, no entanto, após algumas pesquisas reparei que isso não havia fundamento, pois a lua em sua fase minguante só nasce após a meia noite, tendo que seu observador para vê-la tem que ficar acordado até mais tarde. E em sua fase nova, nos primeiros dias, ela realmente esta totalmente escondida sobre a sombra do sol, aparecendo após alguns dias, crescendo até ficar em sua fase crescente.
No entanto, não são as suas fases que mudam de hemisférios para hemisférios, e sim é a nossa visão da lua que muda, sendo a seguinte: em sua fase crescente no hemisfério sul é a parte esquerda que fica iluminada, enquanto no hemisfério norte é a parte direita que ilumina-se, já na fase minguante no hemisfério sul é a parte direita que fica iluminada, enquanto no hemisfério norte é a parte esquerda que ilumina-se.
Assim na tradicional imagem pagã que estamos acostumados que é a
No Brasil passaria a ser assim:


Ou como nessa imagem:


Entretanto pode-se ter a seguinte interpretação: que para os brasileiros, o símbolo não mostra a parte iluminada da lua e sim a parte negra da lua, não necessitando assim da mudança dessa linda imagem milenar. Ficando somente para a interpretação de cada pessoa.

Assim, descrevo aqui um texto encontrado no site astro.if.ufrgs.br onde descreve quais são as fases lunares e como é a visão delas no Brasil.

À medida que a Lua viaja ao redor da Terra ao longo do mês, ela passa por um ciclo de fases, durante o qual sua forma parece variar gradualmente. O ciclo completo dura aproximadamente 29,5 dias. Esse fenômeno é bem compreendido desde a Antiguidade. Acredita-se que o grego Anaxágoras (± 430 a.C.), já conhecia sua causa, e Aristóteles (384 - 322 a.C.) registrou a explicação correta do fenômeno: as fases da Lua resultam do fato de que ela não é um corpo luminoso, e sim um corpo iluminado pela luz do Sol.



A face iluminada da Lua é aquela que está voltada para o Sol. A fase da lua representa o quanto dessa face iluminada pelo Sol está voltada também para a Terra. Durante metade do ciclo essa porção está aumentando (lua crescente) e durante a outra metade ela está diminuindo (lua minguante). Tradicionalmente apenas as quatro fases mais características do ciclo - Lua Nova, Quarto-Crescente, Lua Cheia e Quarto-Minguante - recebem nomes, mas a porção que vemos iluminada da Lua, que é a sua fase, varia de dia para dia. Por essa razão os astrônomos definem a fase da Lua em termos de número de dias decorridos desde a Lua Nova (de 0 a 29,5) e em termos de fração iluminada da face visível (0% a 100%). Recapitulando, fase da lua representa o quanto da face iluminada pelo Sol está na direção da Terra.



A figura acima mostra o sistema Sol-Terra-Lua como seria visto por um observador externo olhando diretamente para o pólo sul da Terra. O círculo externo mostra a Lua em diferentes posições relativas em relação à linha Sol-Terra, assumidas à medida que ela orbita a Terra de oeste para leste (sentido horário para um observador olhando para o pólo sul). O círculo interno mostra as formas aparentes da Lua, em cada situação, para um observador no hemisfério sul da Terra.

As quatro fases principais do ciclo são:

Lua Nova:

>Lua e Sol, vistos da Terra, estão na mesma direção
>A Lua nasce 6h e se põe 18h.

A Lua Nova acontece quando a face visível da Lua não recebe luz do Sol, pois os dois astros estão na mesma direção. Nessa fase, a Lua está no céu durante o dia, nascendo e se pondo aproximadamente junto com o Sol. Durante os dias subsequentes, a Lua vai ficando cada vez mais a leste do Sol e, portanto, a face visível vai ficando crescentemente mais iluminada a partir da borda que aponta para o oeste, até que aproximadamente 1 semana depois temos o Quarto-Crescente, com 50% da face iluminada.

Lua Quarto-Crescente:

>Lua e Sol, vistos da Terra, estão separados de 90°.
>a Lua está a leste do Sol e, portanto, sua parte iluminada tem a convexidade para o oeste.
>a Lua nasce meio-dia e se põe meia-noite

A Lua tem a forma de um semi-círculo com a parte convexa voltada para o oeste. Lua e Sol, vistos da Terra, estão separados de aproximadamente 90°. A Lua nasce aproximadamente ao meio-dia e se põe aproximadamente à meia-noite. Após esse dia, a fração iluminada da face visível continua a crescer pelo lado voltado para o oeste, até que atinge a fase Cheia.

Lua Cheia

>Lua e Sol, vistos da Terra, estão em direções opostas, separados de 180°, ou 12h.
>a Lua nasce 18h e se põe 6h do dia seguinte.

Na fase cheia 100% da face visível está iluminada. A Lua está no céu durante toda a noite, nasce quando o Sol se põe e se põe no nascer do Sol. Lua e Sol, vistos da Terra, estão em direções opostas, separados de aproximadamente 180°, ou 12h. Nos dias subsequentes a porção da face iluminada passa a ficar cada vez menor à medida que a Lua fica cada vez mais a oeste do Sol; o disco lunar vai dia a dia perdendo um pedaço maior da sua borda voltada para o oeste. Aproximadamente 7 dias depois, a fração iluminada já se reduziu a 50%, e temos o Quarto-Minguante.

Lua Quarto-Minguante

>a Lua está a oeste do Sol, que ilumina seu lado voltado para o leste
>a Lua nasce meia-noite e se põe meio-dia

A Lua está aproximadamente 90° a oeste do Sol, e tem a forma de um semi-círculo com a convexidade apontando para o leste. A Lua nasce aproximadamente à meia-noite e se põe aproximadamente ao meio-dia. Nos dias subsequentes a Lua continua a minguar, até atingir o dia 0 do novo ciclo.
O intervalo de tempo médio entre duas fases iguais consecutivas é de 29d 12h 44m 2.9s ( 29,5 dias). Esse período é chamado mês sinódico, ou lunação, ou período sinódico da Lua.


Dia Lunar: Tendo em vista que o período sideral da Lua é de 27,32166 dias, isto é, que ela se move 360° em relação às estrelas para leste a cada 27,32 dias, deduz-se que ela se desloca para leste 13° por dia (360°/27,32), em relação às estrelas. Levando-se em conta que a Terra gira 360° em 24 horas, e que o Sol de desloca 1° para leste por dia, deduzimos que a Lua se atrasa 48 minutos por dia [(12°/360°)×(24h×60m)], isto é, a Lua nasce cerca de 48 minutos mais tarde a cada dia.

Recapitulando, a Lua se move cerca de 13° para leste, por dia, em relação às estrelas. Esse movimento é um reflexo da translação da Lua em torno da Terra, completada em 27,32 dias (mês sideral). O Sol também se move cerca de 1° por dia para leste, refletindo a translação da Terra em torno do Sol, completada em 365,2564 dias (ano sideral). Portanto, a Lua se move cerca de 12° por dia em relação ao Sol, e a cada dia a Lua cruza o meridiano local aproximadamente 48 min mais tarde do que no dia anterior. O dia lunar, portanto, tem 24h48m.




À medida que a Lua orbita em torno da Terra, completando seu ciclo de fases, ela mantém sempre a mesma face voltada para a Terra. Isso indica que o seu período de translação é igual ao período de rotação em torno de seu próprio eixo. Portanto. a Lua tem rotação sincronizada com a translação.
É muito improvável que essa sincronização seja casual. Acredita-se que ela tenha acontecido como resultado das grandes forças de maré exercidas pela Terra na Lua no tempo em que a Lua era jovem e mais elástica. As deformações tipo bojos causadas na superfície da Lua pelas marés teriam freiado a sua rotação até ela ficar com o bojo sempre voltado para a Terra e, portanto, com período de rotação igual ao de translação. Essa perda de rotação teria em consequência provocado o afastamento maior entre Lua e Terra (para conservar o momentum angular). Atualmente a Lua continua afastando-se da Terra, a uma taxa de 4 cm/ano.

Note que como a Lua mantém a mesma face voltada para a Terra, um astronauta na Lua não vê a Terra nascer ou se pôr. Se ele está na face voltada para a Terra, a Terra estará sempre visível. Se ele estiver na face oculta da Lua, nunca verá a Terra.

Como o sistema Terra-Lua sofre influência gravitacional do Sol e dos planetas, a Terra e a Lua não são esféricas e as marés provocam fricção dentro da Terra e da Lua, a órbita não é regular, precisando de mais de cem termos para ser calculada com precisão. O período sideral varia até 7 horas. O período sinódico tem variação ainda maior, de até 12 horas (Lang,2001).



A órbita da Lua em torno da Terra está inclinada 5° em relação à orbita da Terra em torno do Sol.



A órbita da Lua em torno da Terra é uma elipse, exagerada nesta figura, e a Lua está 10% mais próxima no perigeu do que no apogeu, o que faz com que seu tamanho aparente mude de um ciclo para outro

Fonte: http://astro.if.ufrgs.br/lua/lua.htm

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Brasil não escapa da intolerância religiosa - Joyce Carvalho

A intolerância religiosa tornou-se assunto frequente nas páginas de jornais por conta do conflito histórico no Oriente Médio. Mas ela não acontece apenas em uma parte específica do planeta. No Brasil, a intolerância religiosa é presente e um estudo investiga casos dentro das escolas. Este é o tema de um trabalho que está sendo desenvolvido pela Relatoria do Direito Humano à Educação, iniciativa da Plataforma DHESCA (Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais), que reúne trinta organizações e redes nacionais de direitos humanos. A Relatoria tem apoio da Unesco, do Programa de Voluntários da Organização das Nações Unidas, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e da Procuradoria Federal do Direito do Cidadão.

Pesquisadores envolvidos no relatório já passaram pelos estados do Rio de Janeiro e da Bahia para apurar a situação da intolerância religiosa nas escolas. Eles ainda irão ao Rio Grande do Sul e São Paulo. Há possibilidade de visitarem o Paraná. A equipe vem recebendo relatos de todo o País. O relatório completo deve ser finalizado em dezembro deste ano, mas hoje haverá a apresentação de um informe preliminar. Isto acontecerá durante a Marcha Nacional pela Liberdade Religiosa, no Rio de Janeiro.

"Temos observado que a intolerância religiosa é invisível no cotidiano, mas se traduz em problemas como a proibição da capoeira, a humilhação de quem segue religiões com matriz africana, a demissão de professores (adeptos de religiões de matriz africana ou que abordaram conteúdos dessas religiões em classe). Houve um caso no Rio de Janeiro de apredejamento e outro de espancamento de uma criança por conta disto", comenta a Relatora Nacional de Educação, Denise Carreira.

De acordo com ela, existem locais com um crescente conflito religioso, com determinados grupos neopentecostais que pregam a "demonização" de algumas religiões vindas da África. Ela acredita ser importante a efetiva implantação da lei 10.639/2003, que obriga o ensino de história africana e afro-brasileira nas escolas. "Ela dá visibilidade a uma história ignorada por séculos", afirma Carreira.

A relatora demonstra preocupação com o Ensino Religioso confessional, ou seja, ligado a uma religião específica. Quatro estados adotam esta prática (Acre, Ceará, Bahia e Rio de Janeiro). Para ela, é um assunto que precisa ser debatido e a aula de religião pode contribuir para este clima de tensão. "Somos muito críticos a isto e ao acordo entre Brasil e Vaticano (que permite o ensino do catolicismo nas escolas pública). Vai contra a laicidade, como está na Constituição Brasileira", avalia.

Preconceito de forma velada

Preconceito na escola, no trabalho, na sociedade. Mesmo nos dias de hoje, com mais informação acessível, a religião pode desencadear um comportamento antiético em um País que permite qualquer manifestação religosa. "A gente sabe que, mesmo veladamente, acontece. Ninguém faz abertamente porque é crime. A ignorância talvez seja o fator primordial para isto. Aqui a intolerância religiosa não é tão visível, mas temos relatos sim", diz Marco Boeing, diretor administrativo da Federação Umbandista do Estado do Paraná. Ele conta que a entidade inclusive tem feito ações para que a população conheça mais a Umbanda e suas características.

Para o presidente da Federação Espírita do Paraná, Francisco Ferraz Batista, um exemplo do preconceito religioso está ocorrendo no Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que está em andamento em todo o País. Na pergunta sobre religião, não existe a opção espiritismo, e sim somente a terminologia kardecista. Ele acredita que ainda há muita falta de conhecimento do que seja a doutrina espírita e também de outros sistemas religiosos. (JC)

Ensino religioso facultativo

Nas escolas públicas estaduais, o Ensino Religioso é facultativo para os alunos. Quem participa, passa a conhecer a história e as características de várias religiões. "Jamais é dada uma aula de religião. Trabalhamos com o conhecimento sobre o Sagrado em diferentes religiões. O grande mote é o respeito à diversidade religiosa", explica Elói Corrêa dos Santos, coordenador disciplinar de Ensino Religioso da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Para isto, os professores passam por educação continuada e há materiais disponíveis para uso dentro de sala de aula. Os pais são informados sobre a existência do Ensino Religioso e os alunos têm a opção de não participar. "A grande maioria dos alunos participa", garante. Os encontros acontecem especificamente na 5.ª e 6.ª séries do Ensino Fundamental, mas até o último ano do Ensino Médio existem matérias que permeiam pela história das religiões, como a própria disciplina de História.

Santos lembra que os símbolos religiosos foram retirados das escolas estaduais, o que gerou muita polêmica. "Vieram sugestões para colocarmos símbolos de cada uma das relogiões, mas as escolas não são espaços ecumênicos", afirma. (JC)

Fonte: http://www.parana-online.com.br/editoria/cidades/news/477156/?noticia=BRASIL+NAO+ESCAPA+DA+INTOLERANCIA+RELIGIOSA

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Monarquistas Brasileiros do Século XXI


Como esta no meu perfil, eu faço História na Universidade Federal do Tocantins e estou estudando em História do Brasil III a proclamação da Republica, o que me levou a pesquisar o lado "menos favorecido" desse fato histórico e percebi o quanto essa história foi depurtada por historiados ditos Republicanos.
Impressionou-me o fato de ainda no século XXI existirem monarquistas convictos, e ainda mais, pesquisando melhor, conseguir encontrar vários fatos importantes, desconhecidos como o “Plebiscito sobre a forma e o sistema de governo do Brasil (1993)”.
Encontrei vários sites de monarquistas, defendo essa forma de governo no Brasil, esses monarquistas brasileiros do século XXI defende suas idéias com bases sólidas e históricas. O que causou a mim, grande relevância em tudo o que foi dito e ainda muito relevante.
Por isso, posto aqui as suas idéias em apoiar a monarquia no Brasil e ainda indicarei alguns sites encontrados por mim que defende essa idéia.


Manifesto aos Monarquistas Brasileiros


O documento abaixo é um manifesto elaborado e divulgado por movimentos e entidade civis que defendem a monarquia como forma de governo.

Manifesto aos monarquistas brasileiros
(Março de 2007)


Manifesto aos monarquistas brasileiros


Monarquistas,


O movimento monárquico conheceu a clandestinidade por mais de 99 anos. Por praticamente todo um século fomos cerceados em nossa liberdade de mostrar ao País a verdadeira lama em que o regime republicano colocou nossa Nação. Fomos calados de todas as formas possíveis e imagináveis, na mais longa repressão à liberdade de expressão já experimentada pelo Brasil, até que na Constituição de 1988 a mordaça foi-nos retirada.


A nova Carta Magna não apenas nos dava a liberdade de novamente falarmos, mas também previa um plebiscito no qual o povo poderia se manifestar, de modo teoricamente livre, sobre a forma e o sistema de governo que desejaria para o País. Contudo, como muitos de nós ainda se lembram, houve lamentável manipulação, que começou com a antecipação inconstitucional do Plebiscito, impedindo maior organização das frentes parlamentaristas republicana e monárquica, passou por uma propaganda explicitamente enganosa e chegou a uma cédula que confundia o eleitor, levando finalmente à anulação de muitos votos que à nossa causa seriam dados. Os resultados são de todos conhecidos.


É indiscutível que esse foi o momento no qual nós monarquistas mostramos uma atividade conjunta, que no auge do movimento chegou a registrar 27% das intenções de votos. Amordaçados até aquela oportunidade, tivemos por causa disso atuação reconhecidamente quase amadora, em que pese a extrema devoção e boa vontade de muitos dos que participaram da frente monarquista. Ainda assim, conseguimos trazer a nosso favor importante parcela do eleitorado, o que, então, demonstrava o embasamento de nossa causa, ao mesmo tempo em que isto motivava uma onda de calúnias contra nós. De qualquer forma, vale a pena ressaltar que, nesse momento, quando estivemos mais próximos do que nunca de tentar restaurar nossa Monarquia, foi quando vivenciamos uma participação política mais evidente, discutindo propostas, agindo de forma mais direta e com maior utilização das ferramentas políticas disponíveis naquela oportunidade.


Contudo, após a derrota que nos foi impingida pelo presidencialismo, e graças em parte aos nossos equívocos de campanha e, mais ainda, aos métodos escusos utilizados pelos republicanos, mergulhamos em longo e tenebroso inverno de retraimento, com atuação praticamente nula. Basicamente, desde aquele plebiscito, os núcleos monárquicos têm consistido de reuniões virtuais e raros encontros de pessoas, durante as quais os monarquistas discutem entre si as vantagens do sistema, com pouco ou nenhum proselitismo. Desaparecemos da mídia, e mais uma vez o povo brasileiro chega a ignorar a própria existência de uma Família Imperial. Pior que tudo isso, estando fragmentados em nosso próprio meio não conseguimos passar aos descendentes de Dom Pedro II a unidade de que tanto precisam para que possam tomar uma decisão que signifique uma anuência à nossa luta. Com isso, além de não estarmos agindo, enfraquecemos a pouca ação que nasce.


Todavia, mais uma vez o momento histórico está se tornando favorável para nossa Causa. O mar de lama que inunda os poderes republicanos instituídos mostra por si só todas as mazelas do atual sistema de governo. Nossa voz será novamente ouvida, talvez com mais eficiência e se tivermos a vontade e a decisão para tanto, dado que passou o deslumbre com o retorno da “democracia” republicana. Cresce o clamor por uma ação mais enfática em todos os núcleos monárquicos e cada um de nós sente a necessidade desse empenho mais evidente em prol de um movimento mais coeso e conseqüente.


Temos de agir. Isto já é consenso. Mas não podemos reiniciar nossa cruzada fragmentados. A busca da unidade é imprescindível para que voltemos a atuar politicamente!


Entretanto, tendo como Norte a busca dessa unidade e a vontade de agirmos politicamente, jamais poderemos nos esquecer que Monarquia nada tem a ver com partidos políticos, quaisquer que sejam suas cores. Reis ou imperadores ficam acima disto. Monarquia não existe para fragmentar, e sim para unir. Príncipes não pertencem a movimentos políticos, e nem estes àqueles. Príncipes não podem e nem devem participar de política, pela própria natureza do papel histórico que lhes é reservado. Contudo, os monarquistas devem ter participação política. Os monarquistas devem ter atuação política. Os monarquistas devem ter vontade política. Os monarquistas devem ter poder político. De outra forma, jamais poderemos ter esperanças do retorno da Monarquia.


Temos de atuar de forma decidida e incontestável, unidos como feixe de gravetos que se torna inquebrável. A liderança principesca no Brasil surgirá naturalmente, mas não podemos esperar por ela ou contar com ela para agirmos. É como esperar o fruto antes do nascimento da semente. Temos de reunir esforços em torno de uma atuação política mais intensa e presente por parte de todos os monarquistas.


Temos de unir todas as forças que pudermos aglutinar em torno da Causa da Restauração. Não podemos prescindir dos esforços dos descendentes daqueles que, através de seu sangue, escreveram valiosas páginas de nossos registros históricos. Que este apelo, um chamado da História, também encontre eco entre os guardiões da Memória e das verdadeiras conquistas da Nação Brasileira. Que seus representantes atuais façam coro à nossa voz.


Ainda cumpre dizer que a plêiade necessária à plena realização de nossos objetivos não apresentará sucesso se não beber na fonte da intelectualidade brasileira. Dispensar o concurso das mentes de escol que vicejam em nosso País será garantir a morte de qualquer iniciativa, mesmo as ainda não nascidas. Tentar levar adiante um movimento desprovido do concurso das Ciências Políticas e Sociais, distanciado da História e da Filosofia, longe de ser um sonho, é uma quimera.


Feitas estas considerações, temos que imaginar e traçar conjuntamente planos de ação que nos sirvam de diretrizes para uma ação monarquista unificada. Os princípios gerais, que unem a grande maioria, se não todos os monarquistas, seriam até onde sabemos: a restauração da monarquia parlamentarista através da Casa de Bragança; a adoção de um modelo organizacional realmente federativo para nosso País, com maior poderes e recursos para os Estados; voto facultativo e distrital misto com a possibilidade do recall, mecanismo pelo qual um político eleito pode ter seu mandato cassado ou revogado por reavaliação popular no caso de crimes por ele praticados, como os de corrupção, ou ainda por sua incompetência ou inoperância legislativa; combate à corrupção generalizada nos poderes constituídos; e redução da carga tributária.


1) A Restauração Monárquica é a primeira bandeira. Tem que ser nos moldes parlamentaristas, que se mostraram eficientíssimos por todo o mundo. Vale ressaltar que o próprio parlamentarismo nasceu nas monarquias e funciona melhor quando a elas é associado, dado o caráter apartidário do Monarca, que garante maior imparcialidade na Chefia de Estado. Somente com o poder moderador de um Monarca, atuando como fiel da balança entre os embates políticos, é que chegaremos ao justo equilíbrio em um regime parlamentarista brasileiro. O poder do Chefe de Estado, com as atribuições de indicar e destituir o Primeiro-Ministro e dissolver o parlamento, convocar plebiscitos e referendos e deter a chefia suprema das Forças Armadas, jamais poderá ficar nas mãos de membro da casta política sem prejuízo da Democracia. O reiniciador de nossa Monarquia tem de vir da Casa de Bragança. Isso é ponto pacífico, tanto pelos laços históricos desta Casa com nossa Monarquia, quanto pelo parâmetro que já temos, que nos protegem de aventureiros postulantes ao trono e pela respeitabilidade do monarca a ser entronizado.


2) A revisão do Pacto Federativo é uma necessidade premente da Nação. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, as reais necessidades de cada Estado da Federação são muito particulares e conhecidas de forma mais adequadas por seus respectivos cidadãos. Logo, cabe a cada Estado tanto a parcela maior de poder sobre tudo o que lhe disser respeito diretamente, quanto maior quantidade de recursos para que possa atender às suas necessidades locais. A centralização excessiva de poder e de recursos que atualmente caracterizam o Brasil é fonte de desigualdades e injustiças face às reais necessidades dos brasileiros em suas respectivas realidades.


3) Nosso sistema eleitoral é outra mazela. Somos obrigados a votar, o que não apenas fere o conceito de direito, tendo em vista que a principal característica de um direito é a possibilidade de usá-lo ou não, mas faz com que muitos dos votantes sejam pessoas sem o menor compromisso com a melhoria de nosso País. O caráter majoritário simples não apenas leva a distorções de representatividade, mas facilita a formação de alianças de caráter duvidoso entre os candidatos, necessitados que estes ficam de maiores recursos para se elegerem com votos de regiões de fora de suas bases reais e ficam, portanto, reféns de interesses que não se coadunam com os do povo. Desta maneira, o voto distrital puro ou misto atuaria com perfeito sistema de pesos e contrapesos políticos, com o caráter distrital, que levaria à eleição de políticos efetivamente ligados a seus distritos eleitorais. O recall, conforme mencionado mais acima, é um recurso que literalmente dará à população o direito de confiscar o mandato de um deputado que não esteja cumprindo seu papel. Tal recurso, aliado ao sistema parlamentarista, forçaria a classe política a ter maior compromisso com seu verdadeiro papel na sociedade, ao contrário do que temos vistos nestes 117 anos de república.


4) Como corolário, mas também conseqüência do que foi acima dito, entra o combate à corrupção. Esta praga que denigre todos os níveis de poder do País, gerando desvios de recursos vitais para as necessidades de nossa população e vicia os cargos que passam a ser ocupados de acordo com compromissos políticos ao invés de ser por competência. O retorno de uma “sentinela vigilante” monárquica, em um sistema parlamentarista, no qual governos e parlamentos caem por incompetência, associado a um sistema distrital misto que forçaria a classe política a ter mais compromisso ora com suas bases, ora com os partidos e o recurso do recall, já são, em conjunto, poderosas ferramentas contra a corrupção por parte dos políticos. Contudo, a bandeira deve ser ainda assim levantada, como marco da tolerância zero a se ter com os carniceiros da coisa pública.


5) Outro ponto de união deve ser a redução da carga tributária. A república aumentou em mais de três vezes a quantidade de impostos que existia durante o Império, martirizando o cidadão e comprometendo os empreendedores do crescimento da Nação, tudo para alimentar um sistema altamente ineficiente e um Estado agigantado. Na Monarquia, vigorava o pensamento de que enquanto se puder cortar despesas, não se criam impostos, pensamento esse que foi vergonhosamente invertido no atual sistema. O Estado tem por função servir ao povo, e não o contrário. Essa a grande verdade nas Nações verdadeiramente civilizadas e democráticas, e não isso que tentam nos enfiar goela abaixo com o mito das eleições diretas como pilar da democracia.


6) Há que se depender de um partido de conteúdo monarquista, ou no mínimo da participação de monarquistas em algumas das agremiações legalmente existentes, ou de amplo movimento que inclua ações políticas, para que nossas idéias e programas possam ser disseminados e conquistados. Sem esse mecanismo criado pelos republicanos ficamos desprovidos das condições de, particularmente, alcançarmos os meios de comunicação e através deles dizermos as verdades com as quais comungamos. Mas, qualquer que seja o meio a ser utilizado, deve ficar absolutamente claro que os monarquistas não compactuam com quaisquer modelos viciados existentes nas relações políticas atuais. Devemos ser exemplos de retidão e de ética.


Eis o que acreditamos possam ser os pontos iniciais para serem debatidos em busca da união de todos os monarquistas visando a uma retomada de nossa ação política objetiva e que submetemos à consideração de todos. Fazemos, os signatários deste documento, uma conclamação ao trabalho, a novas idéias e conceitos. Propomos aqui a discussão para a ação conjunta em torno desses seis pontos ou outros que possam ser aventados, para que nossa Causa deixe de ser um sonho, e se torne efetivamente uma feliz realidade de nosso País.


Unamo-nos e trabalhemos! Unamo-nos pela Monarquia!


Assinam, por ordem alfabética, as seguintes organizações ou grupos:


Brasil Imperial
Alan Assumpção Morgan


Círculo Monárquico Paraense Dom Pedro Gastão
Flávio Miranda


Comunidade Monarquia
Kristhian Rupp Mancilla


Comunidade Monarquia Parlamentar Legítima
Astrid Bodstein


Comunidade Pró-Monarquia Parlamentarista Ezequiel Novais Neto


Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos (IBEM-Nacional)
Carmem Carneiro


Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos de Minas Gerais (IBEM-MG)
Ezequiel Novais Neto


Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos do Rio Grande do Sul (IBEM-RS)
Carlos Alexandre J. Bertolin


Movimento Monárquico Brasileiro (MMB)
Cláudio Silva Menezes



Sobre o Plebiscito sobre a forma e o sistema de governo do Brasil (1993):
O plebiscito de 1993 no Brasil foi regulado pela lei número 8.624 de 4 de fevereiro de 1993[1], dando-lhe a função de determinar, 104 anos depois da Proclamação da República, qual a forma e sistema de governo em que funcionaria o Estado brasileiro.

Todos os eleitores foram chamados a votar no pleito plebiscitário em 21 de abril de 1993[1], devendo fazer duas escolhas, cada uma delas apresentando duas opções:

Forma de governo:
Monarquia
República

Sistema de governo:
Presidencialismo
Parlamentarismo

Campanha pró-monarquista

O slogan adotado para a defesa das idéias monarquistas, veiculado na televisão brasileira, era Vote no rei.

A emenda do plebiscito à Assembléia Nacional Constituinte foi apresentada, em 1987, pelo deputado Antônio Henrique da Cunha Bueno, que foi obtida mediante a colheita de assinaturas (emenda popular, com mais de 1 milhão de subscritores).

A campanha encetada conseguiu que a proposta obtivesse o índice de intenções de voto de 22% do eleitorado, em 1992. Para fazer frente aos monarquistas, os principais partidos políticos do país à época (PT, PFL, PMDB e PTB) formaram a chamada Frente Presidencialista de um lado, e a Frente Parlamentarista (PSDB) de outro, que se opuseram ao retorno da monarquia.

Números de Resultados e fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Plebiscito_sobre_a_forma_e_o_sistema_de_governo_do_Brasil_(1993)

Outros sites de monarquistas brasileiros:

http://argumentario.zip.net/
http://imperiodobrasil.zip.net/
http://partidomonarquista.ning.com/
http://verdadesmonarquicas.blogspot.com
http://www.monarquia.org.br/portal/
http://monarquiaxrepublica.blogspot.com/


Pesquise e Critique!
A História é feita de versões e verdades!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

No dia do Sexo - A História da Camisinha (Preservativo/Codom de Vênus)



As doenças sexualmente transmissíveis (DST) e o aparecimento da AIDS influenciaram de maneira decisiva a sexualidade humana durante o século XX. Até então, essa era uma questão tratada com reservas e pudor pela saúde pública. O vírus HIV forçou uma mudança sem precedentes. Dentro desse contexto, falar sobre sexo (independentemente da escolha de cada um), promiscuidade e, principalmente sexo sem proteção, virou uma obrigação dos profissionais da saúde, dos educadores e dos pais.

A prevenção da gravidez indesejada e das doenças sexualmente transmissíveis sempre fizeram parte das civilizações urbanas. A cidade trouxe consigo a necessidade de planejar o crescimento, a produção de alimentos, a disponibilidade de moradia.

O nascimento de filhos fora da união oficial sempre foi motivo de escândalo social. Tudo isso levou à criação de métodos capazes de evitar a gravidez, sem, no entanto, furtar o prazer do ato sexual.
Os chineses foram os criadores da primeira versão do preservativo: envoltórios de papel de seda untados com óleo. Os japoneses também possuíam hábito semelhante. Desde 1850 a.C. os egípcios utilizavam métodos contraceptivos. As mulheres colocavam em suas vaginas uma série de produtos para bloquear ou matar os espermatozóides. Elas utilizavam fezes de crocodilos (por possuírem pH alcalino, tal qual os espermicidas modernos), gomas e uma mistura de mel e bicarbonato de sódio. Os homens utilizavam protetores para o pênis, confeccionados em linho ou a partir de intestinos de animais. Tais protetores, porém, não possuíam função contraceptiva: funcionavam como estojos. Eles protegiam o pênis contra galhos e picadas de insetos durante as caçadas.


A mitologia grega apresentou a camisinha para o Ocidente. O rei Minos, filho de Zeus e Europa, era casado com Pasiphë. O monarca era conhecido por seu amor pelas mulheres e suas inúmeras amantes. Por obra de Pasiphë, Minos passou a ejacular serpentes, escorpiões e lacraias, que matavam todas aquelas que se deitasse com o soberano. Pasiphë era imune ao feitiço aplicado a Minos, mas este tornou o rei incapaz de procriar. Minos, no entanto, se apaixonou por Procris. Para evitar que a relação com Minos lhe trouxesse a morte, Procris introduziu em sua vagina uma bexiga de cabra. Os monstros ficaram aprisionados na bexiga e Minos voltou a poder ter filhos.



Durante o século XVI a disseminação das doenças sexualmente transmissíveis assolava a Europa. Nessa época elas eram chamadas de doenças venéreas. Esse nome faz referência às sacerdotisas dos templos de Vênus, que exerciam a prostituição como forma de culto à Deusa do Amor. Foi quando o anatomista e cirurgião Gabrielle Fallopio confeccionou o que descreveu como uma "bainha de tecido leve, sob medida, para proteção das doenças venéreas". Tratava-se de um forro de linho do tamanho do pênis e embebido em ervas. Ele a denominou De Morbo Gallico, em um artigo escrito em 1564. Shakespeare denominou-a "luva de Vênus". No final do século XVI os preservativos de linho passaram a ser embebidos em soluções químicas e depois secados. Eram as precursoras dos espermicidas modernos. No século XVII, um médico inglês conhecido como doutor Condom, alarmado com o número de filhos ilegítimos de Carlos II da Inglaterra (1630-1685), criou para o rei um protetor feito com tripa de animais.

Em inglês, camisinha é "condom", em referência a esse médico. Outro episódio contribuiu para a difusão da camisinha. Ao final da Guerra da Sucessão Espanhola, líderes das principais nações européias reuniram-se na cidade de Utrecht (1713-1714). Tal evento chamou para o local toda a sorte de donzelas, ávidas em proporcionar diversão aos congressistas e desejosas por conseguir algum dinheiro. Mas traziam consigo algo já bem conhecido da ciência européia: doenças venéreas. Um criativo artesão local teve uma idéia: costurou na forma de uma bainha anatômica um ceco de carneiro e obteve, assim, um preservativo.

A seguir as imagens de Gabrielle Fallopio e sua invenção: a 'luva de Vênus', nas palavras de Shakespeare.


E Camisinha de vísceras animais(ceco, bexiga) do século XVIII


O temor em relação às doenças venéreas tinha uma importante justificativa: os recursos terapêuticos eram muito pouco eficientes. Doenças como a sífilis eram praticamente incuráveis. A sífilis foi a AIDS da época. Indivíduos contaminados caminhavam para morte, sempre rodeados por todo o tipo de preconceito. A cura para a sífilis (penicilina) foi obtida apenas na segunda metade do século XX.


A sífilis assombrou a Europa a partir do século XVI e atingiu grandes proporções ao longo dos séculos. Campanhas de prevenção foram detonadas. O tratamento medicamentoso para a doença apareceu apenas na segunda metade do século XX.

A expressão preservativo apareceu pela primeira vez nos anúncios das casas de prostituição de Paris, em 1780: "Nesta casa fabricam-se preservativos de alta segurança, bandagens e artigos de higiene." Ela foi logo substituída por uma expressão curiosa, "redingote anglaise", que queria dizer "sobretudo inglês", o que equivaleria hoje ao termo "camisa-de-vênus" ou mais intimamente falando, "camisinha".

Em 1839 Charles Goodyear descobriu o processo de vulcanização da borracha. A vulcanização consiste na transformação da borracha crua em uma estrutura elástica resistente. Isso permitiu a confecção de preservativos de borracha. Esses eram grossos e caros. Eles eram lavados e utilizados diversas vezes, até que a borracha arrebentasse.

A evolução surgiu com as camisinhas de látex, a partir de 1880. Em 1901, a primeira camisinha com reservatório para o esperma apareceu nos Estados Unidos. As camisinhas de látex adquiriram popularidade apenas a partir da década de 30. Cerca de um milhão e meio de camisinhas foram comercializadas nos Estados Unidos, em 1935.


Preservativo de borracha - 1861

Nas décadas seguintes, a camisinha foi caindo em desuso, principalmente após a descoberta da pílula anticoncepcional, na década de sessenta. Mas o aparecimento da AIDS, na década de oitenta, mudou para sempre a mentalidade mundial: a contaminação de indivíduos pelo vírus HIV, causador da doença, dava-se por meio de contato sexual ou transfusão sanguínea. Falar abertamente sobre sexo seguro e uso injetável de drogas passou de tabu à necessidade e obrigação. A camisinha passou ser a grande arma desse esforço preventivo. E ainda hoje é!

A camisinha é a única capaz de reunir em um único método a prevenção da gravidez indesejada e das doenças sexualmente transmissíveis. Desse modo, permite relacionamentos sexuais seguros e minimiza o efeito da exposição a fatores de risco sofridos por um dos parceiros. A camisinha protege e respeita a escolha e os desejos sexuais de cada um. Com o advento da AIDS as camisinhas voltaram a ser comercializadas em grande escala. Estima-se que hoje mais de cinco bilhões de camisinhas são consumidas anualmente. As apresentações também se diversificaram. Há camisinhas de tamanhos, espessuras e cores diferentes. Há camisinhas aromatizadas. Camisinhas com textura externa para potencializar o desejo sexual na mulher. Em alguns casos de ejaculação precoce, a camisinha pode ser utilizada com sucesso para aumentar o tempo de ejaculação.



Fonte - http://www.giv.org.br/dstaids/camisinha.htm

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Latim




Aqui se encontra algumas frases celebres em latim, para quem tem curiosidade é otimo!

Observação: não sou conhecedor do Latim; as frases abaixo foram, na sua grande maioria, copiadas do livro de Paulo Rónai (Não Perca o seu Latim). Há um Dicionário de Expressões e Frases Latinas mais completo.


Está em: http://www.hkocher.info/minha_pagina/dicionario/0dicionario.htm

Ab aeterno, "Desde a eternidade".

Ab hoc, "Para isso" ou "Para esse fim"; (designado) para executar determinada tarefa: "uma comissão ad hoc".

Ab ovo, "Desde o ovo", "Desde o princípio".

Ad libitum, "À vontade" ou "A seu bel-prazer".

Ad Valorem, "Conforme o valor". Diz-se da tributação de uma mercadoria pelo valor (e não pelo peso ou volume).

A fortiori, "Com tanto mais razão".

Age quod agis, "Faze o que fazes", isto é, aplica-te completamente ao que estás fazendo.

Agnus Dei, "Cordeiro de Deus". Palavras com que São João Batista acolhe Jesus Cristo, na tradução latina da Vulgata (João, I, 29;36).

Alibi, "Alhures". Em Direito: ausência no lugar do crime, provada pela sua ausência noutro lugar. Já considerado palavra vernácula (álibi) por muitos dicionaristas.

Aquila non captat (ou capit) muscas, "A águia não cata (ou pega) moscas", isto é, uma pessoa importante não se incomoda com minudências.

Audaces (ou Audentes) fortuna juvat, "A sorte ajuda os audazes" (Virgílio, Eneida, Livro X, 284).

Audi, vide, tace, si vis vivere in pace, "Ouve, vê e cala, se quiseres viver em paz".

Aut Caesar, aut nihil, "Ou César, ou nada"

Benedicite, "Abençoai".

Brevis esse laboro, obscurus fio, "Esforço-me por ser breve (e) fico obscuro". Palavras com que Horácio (Arte Poética, 25-26) desaconselha aos escritores lacônicos.

Caeci sunt oculi, si animus alias res agit, "Os olhos são cegos, se o espírito se ocupa de outras coisas".

Caput, "Parágrafo", "capítulo".

Ceteris Paribus, "(Ficando) iguais as demais coisas", isto é, "sem que haja modificações de outras características".

Cogito, ergo sum, "Penso, logo existo". Tradução latina de Je pense, donc je sui, afirmação de René Descartes...

Conscia mens famae mendacia risit, "A boa consciência ri-se das mentiras da fama", isto é, do que dela dizem os mentirosos (Ovídio, Fastos, 311).

Consensus omnium, "Consenso de todos", "opinião geral".

Currente calamo, "Ao correr da pena", isto é, sem meditação, improvisadamente.

Data veniã, "Concedida a vênia"; "Com a devida vênia". Fórmula de cortesia com que se começa uma argumentação para discordar do interlocutor.

Dominus vobiscum, "Deus esteja convosco"

Ecce homo, "Eis o homem".

Et cetera, "E as demais coisas".

Ex abrupto, "De improviso"; "Intempestivamente".

Fac simile, "Faze igual". Aportuguezado em "fac-símile", indica reprodução fotográfica de texto manuscrito, mecanografado ou impresso.

Finis coronat opus, "(É o) fim (que) coroa a obra".Grosso modo, "De modo grosseiro", isto é, "aproximadamente".

Grosso modo, "De modo grosseiro", isto é, "aproximadamente".

Habeas corpus, "Que tenhas o teu corpo". A expressão completa é habeas corpus ad subjiciendum

Honoris causa, "Para a honra". Diz-se de título conferido sem exame, à guisa de homenagem: doutor honoris causa.

In dubio pro reo, "Na dúvida, pelo réu".

In extenso, "Na íntegra".




I.N.R.I.: abreviatura de Jesus Nazarenus Rex Judaeorum, "Jesus Nazareno rei dos Judeus". (Note-se que antigamente o som de j transcrevia-se por i.) (Ver nota)

Ipse dixit, frase que os pitagóricos costumavam responder aos pedidos de elucidações sobre a sua doutrina: “Ele disse”. Ele era Pitágoras. Cícero aduz esse costume como exemplo do predomínio da autoridade sobre a razão.

Jus prima noctis, "O direito da primeira noite". Pretenso direito do suserano de passar a primeira noite com a esposa do vassalo.

Latu sensu, "Em sentido amplo".

Libertas quae sera tamen, "Liberdade ainda que tardia".

Magister dixit, "O mestre (o) disse". Frase proverbial entre os antigos, popularizada pelos comentadores medievais de Aristóteles, para quem a opinião de seu mestre não admitia réplica.

Magna Charta, "A Grande Carta". A mais antiga constituição inglesa, outorgada pelo rei João Sem Terra aos barões ingleses em 1215.

Mathesis megiste, "Ensinamento supremo".

Mutatis mutantis, "Mudado o que deve ser mudado".

Natura non facit saltum (ou saltus), "A natureza não dá saltos". Aforismo para enunciar que não existem, na natureza, espécimes ou gêneros completamente separados, havendo sempre um elo que os liga.

Natura sarat, medices curat, "O médico trata, a natureza cura".

Ne sutor supra crepidam, "Não (suba) o sapateiro acima da sandália".

Nihil sub sole novum, "(Não há) nada de novo sob o Sol" (Eclesiastes, Prólogo, na tradução latina da Vulgata).

Non vivas ut edas, sed edas ut vivere possis, "Não vivas para comer, mas come para viver".

Nosce te ipsum, "Conhece-te a ti mesmo". Tradução latina da frase grega inscrita no frontão do tempo de Apolo em Delfos, atribuída a um dos Sete Sábios da Grécia.

Nullius in verba, "Não se contente com a palavra de ninguém". (Pensar Direito, Flew, A.)

Oculus domini saginat equum, "O olho do dono engorda o cavalo". Também se usa: "O olho do dono engorda o porco".

Omnia munda mundis, "Para os castos tudo é casto".

Opus Dei, "Obra de Deus". Associação internacional de católicos, leigos e padres, fundada em Madri, em 1928, cujos membros se dedicam a procurar a perfeição cristã dentro de seu estado de vida e no exercício de sua profissão.

Ora pro nobis, "Reza por nós".

Oratio vultus animi est, "O discurso é o rosto da alma".

Orbis pictus, "Mapa-mundi".

O solitudo, sola beatitudo, "Ó solidão, a única felicidade".

Pacem in terris, "Paz sobre a Terra".

Pari passu, "A passo igual"; "acompanhando lado a lado"; a par; a par e par; par e par.

Pars pro toto, "A parte pelo todo".

Pater Noster, "Padre Nosso", "Pai Nosso".

Pauca, sed bona, "Poucas coisas, mas boas", isto é, a qualidade deve ser superiro à quantidade.

Pro Brasilia fiant eximia, "Pelo Brasil seja feito o melhor".

Quid, "O ponto mais difícil", "o busílis". Em latim, pronome interrogativo cujo sentido é "quê"?

Quid pro quo, "Uma coisa pela outra", "confusão". Aportuguesado em quiproquó.

quod semper, quod ubique, quod ab omnia credita est, "Aquilo que todos, em toda parte, sempre acreditaram".

Res, non verba, "Fatos, não palavras". Emprega-se para dizer que uma situação exige ação, atos e não palavras.

Responsio mollis frangit iram, "Uma resposta branda desvia o furor".

Sapienti sat! "Ao sábio, basta!", isto é, "A bom entendedor meia palavra basta".

Sic, "Assim"

Tabula rasa, "Tabuinha lisa", "Tábua rasa".

Tantum homo habet de scientia quantum operatur, "O conhecimento que o homem possui é só aquele que aplica". São Francisco

Timeo hominem unius libri, "Deve-se temer não quem lê muitos livros, mas quem lê muito um só livro".

Ubi bene, ibi patria, "Onde (me sinto) bem, minha pátria é aí".

Ultima ratio rerum, "A derradeira solução".

Vade Mecum, "Vem comigo". Existe a forma aportuguesada vade-mécum.

Vanitas vanitatum, et omnia vanitas, "Vaidade das vaidades, e tudo (é) vaidade".

Vox populi, vox Dei, "Voz do povo, voz de Deus".

Fonte: RÓNAI, Paulo. Não Perca o seu Latim. Com a colaboração de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. 16. ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

INRI é o acrónimo de Iesu(a) Nazarenus Rex Iudaeorum, "Jesus Nazareno Rei dos Judeus". Segundo os evangelhos, foi o título que Pilatos ordenou que fosse fixado na cruz onde Jesus Cristo foi morto. Segundo o Evangelho de São João, Pilatos teria feito redigir o texto em latim, grego (Ἰησοῦς ὁ Ναζωραῖος ὁ Bασιλεὺς τῶν Ἰουδαίων ) e aramaico (ישוע הנצרת מלך היהודים)



Esotericamente, significa Igni Natura Renovatur Integra, "O Fogo renova completamente a Natureza", alusão ao poder de transmutação do fogo e aos conceitos de regeneração e ressurreição.

No Cristianismo Rosacruz, ainda é usada como as iniciais latinas das palavras hebraicas que representam os quatro elementos: Iam (água), Nour (fogo), Ruach (ar) e Iabeshah (terra).

Quem imagina que a sigla INRI foi criada somente na crucificação de Jesus, engana-se. Vemos o uso do mantra Inri secretamente entre os egípcios, os pársis (adoradores do Fogo no Irã), e mesmo entre os maias, astecas e incas (o deus Sol entre eles era chamado de INTI, uma variação de Inri). E entre os judeus pré-Jesus o Inri era entoado secretamente durante certos rituais entre os Essênios e os Ebionitas.

Alguns autores dão suas explicações particulares. Eliphas Levi afirma que este mantra sagrado significa Isis Naturae Regina Ineffabilis. Os primitivos Magi (os Iniciados persas) formavam com estas quatro letras três aforismos distintos: Ignem Natura Regenerando Integrat; Igne natura Renovatur Integrat; e Igne Nitrum Roris Invenitur.

Os significados para o INRI não param aí: outros devem ter e outros poderão advir, pois apercebe-se que ela já se tomou mística e a imaginação do homem não tem limites. E quando algo dessa natureza está envolta também de mistérios, mais surpresas nos reservam. Daqui a algum tempo, possivelmente, documentos guardados por sociedades iniciáticas darão outras interpretações para o tetragrama INRI.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/INRI

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Mito de Horus


Horus, mítico soberano do Egito,desdobra as suas divinas asas de falcão sob a cabeça dos faraós, não somente meros protegidos, mas, na realidade, a própria incarnação do
deus do céu. Pois não era ele o deus protector da monarquia faraónica, do Egipto unido sob um só faraó, regente do Alto e do Baixo Egipto? Com efeito, desde o florescer da época história, que o faraó proclamava que neste deus refulgia o seu ka (poder vital), na ânsia de legitimar a sua soberania, não sendo pois inusitado que, a cerca de 3000 a. C., o primeiro dos cinco nomes da titularia real fosse exactamente “o nome de Hórus”. No panteão egípcio, diversas são as deidades que se manifestam sob a forma de um falcão. Hórus, detentor de uma personalidade complexa e intrincada, surge como a mais célebre de todas elas. Mas quem era este deus, em cujas asas se reinventava o poder criador dos faraós? Antes de mais, Hórus representa um deus celeste, regente dos céus e dos astros neles semeados, cuja identidade é produto de uma longa evolução, no decorrer da qual Hórus assimila as personalidades de múltiplas divindades.

Originalmente, Hórus era um deus local de Sam- Behet (Tell el- Balahun) no Delta, Baixo Egipto. O seu nome, Hor, pode traduzir-se como “O Elevado”, “O Afastado”, ou “O Longínquo”. Todavia, o decorrer dos anos facultou a extensão do seu culto, pelo que num ápice o deus tornou-se patrono de diversas províncias do Alto e do Baixo Egipto, acabando mesmo por usurpar a identidade e o poder das deidades locais, como, por exemplo, Sopedu (em zonas orientais do Delta) e Khentekthai (no Delta Central). Finalmente, integra a cosmogonia de Heliópolis enquanto filho de Ísis e Osíris, englobando díspares divindades cuja ligação remonta a este parentesco. O Hórus do mito osírico surge como um homem com cabeça de falcão que, à semelhança de seu pai, ostenta a coroa do Alto e do Baixo Egipto. É igualmente como membro desta tríade que Hórus saboreia o expoente máximo da sua popularidade, sendo venerado em todos os locais onde se prestava culto aos seus pais. A Lenda de Osíris revela-nos que, após a celestial concepção de Hórus, benção da magia que facultou a Ísis o apanágio de fundir-se a seu marido defunto em núpcias divinas, a deusa, receando represálias por parte de Seth, evoca a protecção de Ré- Atum, na esperança de salvaguardar a vida que florescia dentro de si. Receptivo às preces de Ísis, o deus solar velou por ela até ao tão esperado nascimento. Quando este sucedeu, a voz de Hórus inebriou então os céus: “ Eu sou Hórus, o grande falcão. O meu lugar está longe do de Seth, inimigo de meu pai Osíris. Atingi os caminhos da eternidade e da luz. Levanto voo graças ao meu impulso. Nenhum deus pode realizar aquilo que eu realizei. Em breve partirei em guerra contra o inimigo de meu pai Osíris, calcá-lo-ei sob as minhas sandálias com o nome de Furioso... Porque eu sou Hórus, cujo lugar está longe dos deuses e dos homens. Sou Hórus, o filho de Ísis.” Temendo que Seth abraçasse a resolução de atentar contra a vida de seu filho recém- nascido, Ísis refugiou-se então na ilha flutuante de Khemis, nos pântanos perto de Buto, circunstância que concedeu a Hórus o epíteto de Hor- heri- uadj, ou seja, “Hórus que está sobre a sua planta de papiro”.
Embora a natureza inóspita desta região lhe oferecesse a tão desejada segurança, visto que Seth jamais se aventuraria por uma região tão desértica, a mesma comprometia, concomitantemente, a sua subsistência, dada a flagrante escassez de alimentos característica daquele local. Para assegurar a sua sobrevivência e a de seu filho, Ísis vê-se obrigada a mendigar, pelo que, todas as madrugadas, oculta Hórus entre os papiros e erra pelos campos, disfarçada de mendiga, na ânsia de obter o tão necessário alimento. Uma noite, ao regressar para junto de Hórus, depara-se com um quadro verdadeiramente aterrador: o seu filho jazia, inanimado, no local onde ela o abandonara. Desesperada, Ísis procura restituir-lhe o sopro da vida, porém a criança encontrava-se demasiadamente débil para alimentar-se com o leite materno. Sem hesitar, a deusa suplica o auxílio dos aldeões, que todavia se relevam impotentes para a socorrer.

Quando o sofrimento já quase a fazia transpor o limiar da loucura, Ísis vislumbrou diante de si uma mulher popular pelos seus dons de magia, que prontamente examinou o seu filho, proclamando Seth alheio ao mal que o atormentava. Na realidade, Hórus ( ou Harpócrates, Horpakhered- “Hórus menino/ criança”) havia sido simplesmente vítima da picada de um escorpião ou de uma serpente. Angustiada, Ísis verificou então a veracidade das suas palavras, decidindo-se, de imediato, e evocar as deusas Néftis e Selkis (a deusa- escorpião), que prontamente ocorreram ao local da tragédia, aconselhando-a a rogar a Ré que suspendesse o seu percurso usual até que Hórus convalescesse integralmente. Compadecido com as suplicas de uma mãe, o deus solar ordenou assim a Toth que salvasse a criança. Quando finalmente se viu diante de Hórus e Ísis, Toth declarou então: “ Nada temas, Ísis! Venho até ti, armado do sopro
vital que curará a criança. Coragem, Hórus! Aquele que habita o disco solar protege-te e a protecção de que gozas é eterna. Veneno, ordeno-te que saias! Ré, o deus supremo, far-te-á desaparecer. A sua barca deteve-se e só prosseguirá o seu curso quando o doente estiver curado. Os poços secarão, as colheitas morrerão, os homens ficarão privados de pão enquanto Hórus não tiver recuperado as suas forças para ventura da sua mãe Ísis. Coragem, Hórus. O veneno está morto, ei- lo vencido.”
Após haver banido, com a sua magia divina, o letal veneno que estava prestes a oferecer Hórus à morte, o excelso feiticeiro solicitou então aos habitantes de Khemis que velassem pela criança, sempre que a sua mãe tivesse necessidade de se
ausentar. Muitos outros sortilégios se abateram sobre Hórus no decorrer da sua infância (males intestinais, febres inexplicáveis,mutilações), apenas para serem vencidos logo de seguida pelo poder da magia detida pelas sublimes deidades do panteão egípcio.

No limiar da maturidade, Hórus, protegido até então por sua mãe, Ísis, tomou a resolução de vingar o assassinato de seu pai, reivindicando o seu legítimo direito ao trono do Egipto, usurpado por Seth. Ao convocar o tribunal dos deuses, presidido por Rá, Hórus afirmou o seu desejo de que seu tio deixasse, definitivamente, a regência do país, encontrando, ao ultimar os seus argumentos, o apoio de Toth, deus da sabedoria, e de Shu, deus do ar. Todavia, Ra contestou-os, veementemente, alegando que a força devastadora de Seth, talvez lhe concedesse melhores aptidões para reinar, uma vez que somente ele fora capaz de dominar o caos, sob a forma da
serpente Apópis, que invadia, durante a noite, a barca do deus- sol, com o fito de extinguir, para toda a eternidade, a luz do dia.

Ultimada uma querela verbal, que cada vez mais os apartava de um consenso, iniciou-se então uma prolixa e feroz disputa pelo poder, que opôs em confrontos selváticos, Hórus a seu tio. Após um infrutífero rol de encontros quase soçobrados na barbárie, Seth sugeriu que ele próprio e o seu adversário tomassem a forma de hipopótamos, com o fito de verificar qual dos dois resistiria mais tempo, mantendo-se submergidos dentro de água. Escoado algum tempo, Ísis foi incapaz de refrear a sua apreensão e criou um arpão, que lançou no local, onde ambos haviam desaparecido. Porém, ao golpear Seth, este apelou aos laços de fraternidade que os uniam, coagindo Ísis a sará-lo, logo em seguida. A sua intervenção enfureceu Hórus, que emergiu das águas, a fim de decapitar a sua mãe e, acto contíguo, levá-la consigo para as montanhas do deserto. Ao tomar conhecimento de tão hediondo acto, Rá, irado, vociferou que Hórus deveria ser encontrado e punido severamente. Prontamente, Seth
voluntariou-se para capturá-lo. As suas buscas foram rapidamente coroadas de êxito, uma vez que este nem ápice se deparou com Hórus, que jazia, adormecido, junto a um oásis. Dominado pelo seu temperamento cruel, Seth arrancou ambos os olhos de Hórus, para enterrá-los algures, desconhecendo que estes floresceriam em botões de lótus. Após tão ignóbil crime, Seth reuniu-se a Rá, declarando não ter sido bem sucedido na sua procura, pelo que Hórus foi então considerado morto. Porém, a deusa Hátor encontrou o jovem deus, sarando-lhe, miraculosamente, os olhos, ao friccioná-los com o leite de uma gazela. Outra versão, pinta-nos um novo quatro, em que Seth furta apenas o olho esquerdo de Hórus, representante da lua.

Contudo, nessa narrativa o deus-falcão, possuidor, em seus olhos, do Sol e da lua, é igualmente curado. Em ambas as histórias, o Olho de Hórus, sempre representado no singular, torna-se mais poderoso, no limiar daperfeição, devido ao processo curativo, ao qual foi sujeito. Por esta razão, o Olho de Hórus ou Olho de Wadjet surge na mitologia egípcia como um símbolo da vitória do bem contra o mal, que tomou a forma de um amuleto protector. A crença egípcia refere igualmente que, em memória desta disputa feroz, a lua surge, constantemente, fragmentada, tal como se encontrava, antes que Hórus fosse sarado.

Determinadas versões desta lenda debruçam-se sobre outro episódio de tão desnorteante conflito, em que Seth conjura novamente contra a integridade física de Hórus, através de um aparentemente inocente convite para o visitar em sua morada. A narrativa revela que, culminado o jantar, Seth procura desonrar Hórus, que, embora
precavido, é incapaz de impedir que um gota de esperma do seu rival tombe em suas mãos. Desesperado, o deus vai então ao encontro de sua mãe, a fim de suplicar-lhe que o socorra. Partilhando do horror que inundava Hórus, Ísis decepou as mãos do filho, para arremessá-las de seguida à água, onde graças à magia suprema da deus, elas desaparecem no lodo. Todavia, esta situação torna-se insustentável para Hórus, que toma então a resolução de recorrer ao auxílio do Senhor Universal, cuja extrema bonomia o leva a compreender o sofrimento do deus- falcão e, por conseguinte, a ordenar ao deus-crocodilo Sobek, que resgatasse as mãos perdidas. Embora tal diligência haja sido coroada de êxito, Hórus depara-se com mais um imprevisto: as suas mãos tinham sido abençoadas por uma curiosa autonomia, incarnando dois dos filhos do deus-falcão.

Novamente evocado, Sobek é incumbido da tarefa de capturar as mãos que teimavam em desaparecer e levá-las até junto do Senhor Universal, que, para evitar o caos de mais uma querela, toma a resolução de duplicá-las. O primeiro par é oferecido
à cidade de Nekhen, sob a forma de uma relíquia, enquanto que o segundo é restituído a Hórus. Este prolixo e verdadeiramente selvático conflito foi enfim solucionado quando Toth persuadiu Rá a dirigir uma encomiástica missiva a Osíris, entregando-lhe um incontestável e completo título de realeza, que o obrigou a deixar o seu reino e confrontar o seu assassino. Assim, os dois deuses soberanos evocaram os seus poderes rivais e lançaram-se numa disputa ardente pelo trono do Egipto. Após um recontro infrutífero, Ra propôs então que ambos revelassem aquilo que tinham para oferecer à
terra, de forma a que os deuses pudessem avaliar as suas aptidões para governar. Sem hesitar, Osíris alimentou os deuses com trigo e cevada, enquanto que Seth limitou-se a executar uma demonstração de força. Quando conquistou o apoio de Ra, Osíris persuadiu então os restantes deuses dos poderes inerentes à sua posição, ao recordar
que todos percorriam o horizonte ocidental, alcançando o seu reino, no culminar dos seus caminhos. Deste modo, os deuses admitiram que, com efeito, deveria ser Hórus a ocupar o trono do Egipto, como herdeiro do seu pai. Por conseguinte, e volvidos cerca de oito anos de altercações e recontros ferozes, foi concedida finalmente ao
deus- falcão a tão cobiçada herança, o que lhe valeu o título de Hor-paneb-taui ou Horsamtaui/Horsomtus, ou seja, “Hórus, senhor das Duas Terras”. Como compensação, Rá concedeu a Seth um lugar no céu, onde este poderia desfrutar da sua posição de deus das tempestades e trovões, que o permitia atormentar os demais. Este mito parece sintetizar e representar os antagonismos políticos vividos na era pré- dinástica, surgindo Hórus como deidade tutelar do Baixo Egipto e Seth, seu oponente, como protector do Alto Egipto, numa clara disputa pela supremacia política no território egípcio.

Este recontro possui igualmente uma cerca analogia com o paradoxo suscitado pelo combate das trevas com a luz, do dia com a noite, em suma, de todas as entidades antagónicas que encarnam a típica luta do bem contra o mal. A mitologia referente a este deus difere consoante as regiões e períodos de tempo. Porém, regra geral, Hórus
surge como esposo de Háthor, deusa do amor, que lhe ofereceu dois filhos: Ihi, deus da música e Horsamtui, “Unificador das Duas Terras”. Todavia, e tal como referido anteriormente, Hórus foi imortalizado através de díspares representações, surgindo por vezes sob uma forma solar, enquanto filho de Atum- Ré ou Geb e Nut ou
apresentado pela lenda osírica, como fruto dos amores entre Osíris e Ísis, abraçando assim diversas correntes mitológicas, que se fundem, renovam e completam em sua identidade. É dos muitos vectores em que o culto solar e o culto osírico, os mais relevantes do Antigo Egipto, se complementam num oásis de Sol, pátria de lendas de luz, em cujas águas d’ ouro voga toda a magia de uma das mais enigmáticas civilizações da Antiguidade.Detalhes e vocabulário egípcio: culto de Hórus centralizava-se na cidade de Edfu, onde particularmente no período ptolomaico saboreou uma estrondosa popularidade; culto do deus falcão dispersou-se em inúmeros sub- cultos, o que criou lendas controversas e inúmeras versões do popular deus,
como a denominada Rá- Harakhty; as estelas (pedras com imagens) de Hórus consideravam-se curativas de mordeduras de serpentes e picadas de escorpião, comuns
nestas regiões, dado representarem o deus na sua infância vencendo os crocodilos e os escorpiões e estrangulando as serpentes. Sorver a água que qualquer devotado lhe houvesse deixado sobre a cabeça, significava a obtenção da protecção que Ísis proporcionava ao filho.

Nestas estelas surgia, frequentemente, o deus Bes, que deita a língua de fora aos maus espíritos. Os feitiços cobrem os lados externos das estelas. Encontramos nelas uma poderosa protecção, como salienta a famigerada Estela de Mettenich: “Sobe veneno, vem e cai por terra. Hórus fala-te, aniquila-te, esmaga-te; tu não te
evantas, tu cais, tu és fraco, tu não és forte; tu és cego, tu não vês; a tua cabeça cai para baixo e não se levanta mais, pois eu sou Hórus, o grande mágico.”


Out – embalsamadores
Vabet – lugar de purificação