sexta-feira, 8 de junho de 2018

Tutorial: Primeiros passos na Ortodoxia Kemética (Parte 1)

Em Hotep 

Todos vocês já sabem o que é a Ortodoxia Kemética, já explicamos aqui diversas vezes sobre nossa fé. No entanto, muitos ainda tem dúvidas de como começar sua caminhada nessa religião. Esse artigo é justamente para sanar duvidas sobre essas questões, vamos tentar te ajudar com todos os questionamentos, tudo aqui. Então, senta que o papo será muito bom.


A Ortodoxia Kemética é uma religião com sede nos EUA, a líder religiosa, obviamente fala em inglês, isso faz com que todo o material oficial seja nesta língua. O que torna tudo um pouquinho mais difícil na hora dos primeiros passos. Digo por mim, foi muito difícil quando encontrei a fé (isso em 2011) quando achava pouco material em portugues e a maioria era direto da fonte, o site Kemetic Orthodoxy (no canto esquerdo do site sempre tem anunciando datas para Beginners Class, observe) é claro, que agradeço a Netjer por existir Google Tradutor pois sem ele jamais teria conseguido ler os artigos super esclarecedores do site oficial da House of Netjer.

Quando eu comecei, me vinha a pergunta em mente: "precisa de um pré requisito para entrar na Ortodoxia Kemética"? Existe sim: força de vontade e principalmente sinceridade. 
A O.K. é uma religião que exige comprometimento espiritual, ela não tem de modo algum, a intenção de formar sacerdotes, a O.K. não é apenas um título para você ostentar nas redes sociais. A O.K. é uma religião tradicional africana e como tal é acima de tudo um modo de vida, você não pratica a fé, você a vivi em todos os momentos da sua vida. 

Vejo muitas pessoas procurar a Ortodoxia Kemética em busca de títulos sacerdotais, gente, se for por isso, aqui não é seu lugar. No Brasil só temos Remetj e Shemsu, para ser um sacerdote/reverendo é necessário muito mais que querer, é necessário um comprometimento incrível e muita, muita dedicação, até porque, a responsabilidade disso é para a vida toda.

Outra coisa que você tem que ter em mente que, a não ser que você mora em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília, você terá que viver o pilar comunidade (para saber mais sobre esse pilar leia o artigo aqui) on-line e claro, sozinho. De todas as dificuldades, até mesmo maior que a questão do inglês, praticar uma religião tão "comunitária" assim sozinho é uma dificuldade que você terá que enfrentar. Esse problema podemos sanar com o fórum oficial e também com as páginas e grupos do facebook ou o grupo do WhatsApp brasileiro que nos temos para ajudar-nos. Somos uma comunidade bem unida.

Mas vamos lá, você escutou a voz dos deuses, e está convicto em seu coração que a Ortodoxia Kemética é algo que você sempre buscou (senti exatamente isso quando li os primeiros textos), o que devo fazer Hery? 
Primeiramente eu sugiro leitura de sites (inclusive esse) e das informações essenciais encontradas no site oficial (falei dele ali em cima), no site você encontrará informações básicas como: O que é a Ortodoxia Kemética, quais são seus fundamentos, quem é a Nisut (AUS), o que são essas palavras dificeis que falamos direto como "Em Hotep", "Senebty", "Dua" entre outros, porque você precisa de uma base, não entre sem saber o que é, saiba se isso é realmente o que você deseja na sua vida. Ai partimos para a segunda etapa, você leu, gostou e quer saber mais, sendo assim, seu primeiro contato com pessoas que praticam a fé tem que ser com os Liaison. Mas quem são esses com o nome difícil? São os brasileiros que, caridosamente, se disponibilizaram a ajudar em tudo: informação, tradução e ajuda, durante todos seus primeiros passos na Ortodoxia Kemética. São eles que vão te auxiliar em tudo. Seu contato com eles será por email, a qual você encontrará no final desse artigo, ao escrever para eles seja breve e não use gírias ou palavras indecifráveis, você precisa ser claro para eles te ajudar da melhor forma possível. 

Lembre-se, nos não somos uma especie de maçonaria, nem tão pouco temos regras ou provas para você se candidatar ao curso de iniciantes Zep Tepi, o que se pede é apenas sinceridade, isso é essencial para começar na Ortodoxia Kemética.

No próximo artigo, nos iremos falar sobre o Curso Zep Tepi, que é o curso de iniciantes da Ortodoxia Kemética, onde todos os membros tem que passar para conhecer melhor nossas práticas e filosofia, sem mais spoilers, até a próxima galera... Até mais...

Para contato com os Liaison, mande um e-mail para perkemetbr@gmx.com 

Senebty 

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Tradição na Ortodoxia Kemética


"Tradição não é o culto às cinzas, mas a preservação do fogo"
Gustav Mahler

Não é de hoje que as religiões politeístas estão crescendo no mundo ocidental. Dominado pelo cristianismo o ocidente está cada dia mais voltando seus olhos as religiões politeístas como tentativas de se voltar as suas raízes. As religiões tradicionais politeístas está ganhando força cada dia mais, principalmente em seus lugares de culto, nas regiões nórdicas por exemplo o Heathenismo ou Asatru está ganhando cada dia mais adeptos, na Grecia o Dodecateísmo também vem mostrando um crescimento de praticantes, e até na Rússia o Rodnovaria vem crescendo. É claro que o crescimento de religiões tradicionais politeístas não está restrito somente aos seus locais de culto, as essas religiões chamam a todos que sentem ligação com esse modo de vida. O que não poderia ser diferente com a Ortodoxia Kemética.

A Ortodoxia Kemética é reconhecida internacionalmente como uma Religião Tradicional Africana. Que Kemet é África não temos duvidas, mas o que muitas vezes pode parecer confuso é a questão da tradição. Esse pequeno artigo terá como prioridade buscar elucidar melhor essa questão dentro da nossa religião. 



Vamos primeiro compreender o que essa palavra, tradição, significa. 
De acordo com Danilo Marcondes em seu livro Dicionário Básico de Filosofia "Tradição (do latim traditio, tradere = "entregar", "passar adiante") é a continuidade ou permanência de uma doutrina, visão de mundo, costumes e valores de um grupo social ou escola de pensamento." A partir disto, compreendemos que Tradição é uma forma de manter viva um pensamento ou uma forma de viver, e é exatamente isso que a Ortodoxia Kemética propõe. Nossa fé não é uma forma de teatro, que busca reproduzir de forma irracional algo feito no passado, nem tão pouco nossas práticas se resumi a rituais ou somente aquele momento especifico que nos doamos aos nossos deuses, enfim, a O.K. é uma forma de vida.
A partir do momento que compreendemos que a O.K é uma religião Tradicional não podemos ser levianos nos cultos a essas divindades, pois o culto tradicional é muito mais profundo, pois engloba questões que vão além de oferendas ou uma liturgia, o culto tradicional é um modo de vida que exige de seu praticante uma disciplina e uma dedicação muito maior que outras formas de cultos.

Um segundo ponto relevante, para compreender a questão, é entender como a Ortodoxia Kemética se caracteriza como Tradicional Africana. Religiões tradicionais africanas envolvem ensinamentos, práticas e rituais, e visam a compreender o divino, dentro dessa visão, a O.K. comunga com as outras religiões e tradições originadas dentro do continente africano em preservar ensinamentos difundidos em Kemet. 

Foto de Siathethert
Qualquer um, em qualquer parte do mundo, ao adotar a O.K. como religião terá que compreender e assim aceitar que as tradições dentro da fé é algo de extrema importância. É um mistério, também chamado de fundamento, pois está ligado aos princípios da tradição religiosa que devem ser tratados com cuidado, podemos dizer que são a base necessária da religião para que esta continue sendo pertencente a uma tradição religiosa. Entendemos também que a Tradição na Ortodoxia Kemética não é algo criado pela Hekatawy I (AUS) (fundadora e atual Nisut da fé) e também não é algo pertencente a nenhum outro Nisut-bity do passado, entendemos que a/o Nisut é o defensor da tradição e dos fundamentos, tem que ser o primeiro/a a defender/proteger/praticar/respeitar as tradições, já que este/a é o principal exemplo a ser seguido pelos outros praticantes.


“Para descobrir um novo mundo, é preciso saber esquecer seu próprio mundo, do contrário, o pesquisador estará simplesmente transportando seu mundo consigo ao invés de manter-se ‘à escuta'", esta frase elucida bem a questão do praticante de uma religião tradicional, pois ao adotar uma tradição para si precisa-se mergulhar em novo mundo com grande respeito, pois acima de tudo é isso que mais exige a Ortodoxia Kemética: respeito as tradições e aos ensinamentos. Ptah-Hotep escreveu "Quanto a você, ensine seu discípulo as palavras da tradição. Que ele sirva de modelo para os filhos dos grandes, para que nele encontrem o entendimento e a justiça de todo coração que lhe fala, visto que o homem não nasce sábio." 

Seguir, respeitar e vivenciar a Tradição é Maat!


Bibliografia:
HILTON, Danilo Marcondes (1993). 'Dicionário básico de filosofia, Zahar. p. 269. ISBN 978-85-378-0341-7.
HAMPATÉ BÂ, Amadou. A Tradição viva. História geral da África. Editado por Joseph Ki-Zerbo. – 2. Ed. Ver. – Brasília : UNESCO, 2010, p. 167-212.
JACQ, Christian. The Living Wisdom of Ancient Egypt. 1999

domingo, 5 de novembro de 2017

Celebração através do calendário kemético

Em hotep. 

Khoiak é o meu mês preferido por uma série de razões, e como este mês é especial, decidi escrever sobre práticas devocionais baseando-as no calendário kemético, que possui uma grande variedade de festivais distribuídos em cada mês, e na minha perspectiva, honrar os deuses através do calendário nos coloca em uma rotina de devoção e contato contínuo com os netjeru de forma flexível e adaptável.

Como citado acima, o calendário é repleto de festivais, de natureza lunar, solar e estelar. E basicamente os festivais da metade do mês (Half-Month Festival) sempre estarão lá para que reflitamos junto dos deuses sobre a vida, a existência e a religião, e para permiti-los fazer parte do que estamos passando no momento. No fim de cada mês há uma celebração especial para Ra, Heru e Wesir, divindades ligadas à continuidade e estabilidade da realeza em ambos os mundos. 

Água fria é uma oferenda tradicional e comum, tão como o pão e perfume - incenso, flores, óleos. Parecem oferendas simples para nós, à primeira vista, mas água fria por exemplo era valiosa em Kemet. Outras oferendas comuns são cerveja, e refeições do dia a dia etc. Outras formas de louvar os deuses são através de orações antigas, encontradas do Ancient Egyptian Prayerbook, ou modernas.

Os meses são sagrados para determinadas divindades, elas presidem e nos guardam durante todo o mês. Khoiak é sagrado a Sekhmet, a Soberana, e podemos homenageá-la no decorrer do mês. O Sexto Dia de cada semana é consagrado ao Akhu para serem lembrados e venerados, nossos ancestrais que nos inspiram a viver com sabedoria na terra em que eles uma vez já pisaram. 

Não é necessário celebrar todos os festivais do calendário, pois de fato são muitos para dar conta. Contudo existem aqueles que são maiores e nacionais, e que toda a comunidade celebra junto da Nisut (ankh udja seneb). Um destes festivais é o grande Festival de Wesir (os Mistérios de Wesir), que acontece no fim do último mês de Akhet.

A prática pessoal, realizada em sua própria casa, pode ser muito personalizável ao seu próprio estilo de vida, então não há com o que se preocupar com o calendário. Não obstante, sempre haverá Dua para festivais maiores, e também alguns menores. E por ser estatal, as coisas acontecem de forma tradicional.

Para mais informações sobre o calendário kemético, o Ancient Egyptian Daybook é uma detalhada e completa fonte de informações: http://www.egyptiandaybook.com/