quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Brasil, um país laico? Desde quando???

Movido por uma insatisfação política no momento de eleição presidencial no Brasil, posto esse artigo, onde confirmo, o Brasil só é um país laico no papel.
É horrível e ainda inconstitucional que ainda haja dentro das discussões políticas as problemas de quem é mais religioso que o outro e mais abominável ainda lideres religiosos envolvidos como cabos eleitorais, pedintes de votos.
Ate onde estaremos na Idade Media? Eu não sei, só sei que precisamos de uma mudança de valores, pois religião é algo individual e não deveria fazer parte da política, pois um governante tem que governar para o povo e não por essa ou aquela igreja, por essa ou aquela religião!
Sou a favor da retirada de símbolos religiosos dos órgãos públicos!
Sou a favor de um país laico!
Sou a favor de um governante que governe realmente para o povo!
Sou a favor dos caminhos opostos entre Religião e Política!




Brasil: Laico ou Concordatário? por Luiz Antônio Cunha

Se alguém perguntar: o Brasil é um Estado laico? Eu diria: - Não. O Brasil nunca foi um Estado laico, pois ele é um Estado concordatário. Até o dia 13 de novembro de 2008 era, implicitamente, concordatário. A partir desta data, assume, explicitamente, essa condição. E, por que, implicitamente, concordatário? Porque o Brasil tinha legislações que não tinham o nome de concordata, nem de acordo com o Vaticano, mas que privilegiavam, explicitamente, a Igreja Católica; não igrejas cristãs, mas a Igreja Católica.
Há um dispositivo legal, que não está na Constituição brasileira, explicitamente, que trata do laudêmio, que é um estatuto do direito medieval, que significa a propriedade de um terreno ou de um imóvel, para além da propriedade individual. Há três sujeitos de laudêmio no Brasil: a Marinha de Guerra, com os terrenos da costa; a família imperial; e a igreja católica nas cidades mais antigas do Brasil, como nos distritos centrais de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Recife, por exemplo. O que significa o laudêmio? Se alguém é proprietário de um terreno ou de uma casa e vende um desses imóvies, deve à municipalidade o imposto de transmissão, que está na ordem de 2,5% ou 3%; mas, se o imóvel está sujeito ao laudêmio, a pessoa que comprar o terreno deverá também, ao titular desse direito arcaico, o dobro do imposto de transmissão.



Além disso, o comprador deverá pagar, anualmente, uma determinada quantia. Isso é uma fonte de renda muito importante, garantida pelo Estado. Não está na Constituição brasileira, mas é direito líquido e certo. Ninguém pode deixar de recolher esse recurso. É impossível calcular, do ponto de vista prático, qual é o valor desse privilégio que o Estado brasileiro garante à Igreja Católica. Há outros exemplos, que não serão citados neste momento. Este já é suficiente para mostrar que o Estado brasileiro, parcialmente republicano, sempre foi, a despeito do que aparecia na Constituição, um Estado concordatário.

A partir da Concordata firmada com o Vaticano, em fins de 2008, o Estado Brasileiro é manifestadamente concordatário. Trata-se de um acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé que prescreve não os interesses comuns, mas apenas os interesses da Igreja Católica no Brasil.



De uma maneira geral, os itens da Concordata brasileira são os mesmos da concordata firmada pelo governo de Portugal com a Santa Sé. Parece que é como se houvesse uma espécie de modelito prévio a ser adaptado a cada caso.

Por exemplo, entre os artigos da Concordata brasileira há uma abordagem que envolve questões trabalhistas com os quadros da Igreja Católica. Vale ressaltar que esse ponto não está presente na concordata de Portugal. Sobre o ensino religioso, ela diz sobre o direito dos jovens portugueses terem o ensino da religião e moral católicas na escola. Não fala dos outros credos, na concordata portuguesa. No Brasil, ela tem formato que parece misturar um pouco da legislação civil brasileira. Mas, sobre as questões trabalhistas, a Concordata separa os quadros da Igreja Católica de todos os demais da legislação trabalhista brasileira e da Justiça do Trabalho. Ela retira de seu âmbito todos os casos de petições de reivindicações de direitos para sacerdotes, irmãos, leigos e freiras; enfim, do pessoal da igreja católica. A concordata estabelece que seu trabalho é necessariamente voluntário. Isso é incrível porque o que está acontecendo é que gente que trabalha para a Igreja Católica durante décadas e depois vai à Justiça do Trabalho e busca reivindicar direitos, vai encontrá-la legalmente impedida.


A clarificação desse ponto apareceu num jornal do Rio de Janeiro, O Globo. Um pequeno artigo publicado no dia seguinte ao da aprovação da concordata, assinado por um Juiz do Superior Tribunal do Trabalho, aliás, um militante direitista e criminizador do aborto, Ives Granda, dizia que, finalmente, essa ambigüidade foi retirada da legislação brasileira.

A concordata prevê, também, que a anulação de um casamento na instância religiosa, passa a ter reconhecimento civil.

Luiz Antônio Cunha é coordenador do Observatório da Laicidade do Estado - UFRJ

Fonte: http://www.ccr.org.br/a_destaque_jogorapido070709-luizcunha.asp

Notas do Simaltar:
Um país movido por religião é um país preconceituoso, sou a favor da liberdade religiosa, mais não sou a favor do preconceito religioso!

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu nao axo o Brasil laico, afinal 98% da populaçao do BRASIL é Cristão. SIM AO CRUCIFIXO!!!
by kaz..

Trisha Miragem disse...

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